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We Are Who We Are: um retrato da juventude

O ponto alto da série é a construção de personagens multidimensionais e complexos.
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Para muitos, a adolescência é a época mais turbulenta e metamórfica da vida. Nunca fomos tão invencíveis e vulneráveis. É dentro desse mundo de descobertas, vitalidade e dores que o diretor Luca Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome) ambienta seu mais novo trabalho, a série We Are Who We Are.

+assista We Are Who We Are na HBO

Dirigida e co-escrita por Guadagnino, We Are Who We Are estreou no dia 14 de setembro na HBO. A série tem como foco principal as vivências de dois adolescentes , Fraser Wilson (Jack Dylan Grazer) e Caitlin Harper (Jordan Kristine Seamón), que moram com suas respectivas famílias em uma base militar americana na cidade costeira Chioggia, na Itália. O trama se passa no ano de 2016, antes da eleição do presidente Donald Trump nos Estados Unidos (fato explorado na série).

divulgação / HBO

+Normal People deixa no público a sensação de assistir algo real na tela.

Os dois primeiros episódios – intitulados “Right here, right now” e “Right here, right now parte II” – mostram a chegada de Fraser na base militar com suas mães Sarah (Chloë Sevigny) e Maggie (Alice Braga), sob a perspectiva de Fraser e Caitlin, respectivamente.

Guadagnino leva o seu tempo apresentando as dinâmicas particulares dos protagonistas. Fraser é um jovem introspectivo e curioso que acabou de se mudar de Nova Iorque e tem que lidar com a mudança de ambiente, junto com questões ligadas a sexualidade e uma relação intensa e por vezes problemática com a sua mãe, Sarah.

Já Caitlin acabou de entrar na puberdade e explora diferentes facetas da sua identidade de gênero, sexualidade e a imposição da feminilidade. Sua dinâmica com seu pai, Richard, interpretado pelo rapper Kid Cudi, também é ressaltada na narrativa.

divulgação / HBO

O ponto alto de We Are Who We Are é a construção de personagens multidimensionais e complexos. Guadagnino é um mestre em trazer a tona a humanidade da narrativa através de longas passagens, diálogos fluidos, figurinos icônicos e uma trilha sonora imersiva.

+Denso, enigmático e difícil de digerir. Essas características irão afastar uma parte da audiência de Estou Pensando em Acabar com Tudo, que pode reduzir o filme a um ajuntamento pretensioso.

Outro destaque é a ambientação da série. As locações italianas não são usadas apenas como plano de fundo, mas sim como uma camada extra na narrativa, moldando tudo ao seu redor. A autenticidade italiana é contrastada com a cultura americana criada na base militar, espelhando a sensação de estranhamento dos personagens.

We Are Who We Are lida com discussões atuais de identidade de gênero, sexualidade, família, amizade, saúde mental e patriotismo, sem infantilizar a vivência da juventude. Guadagnino retrata mais uma vez o seu fascínio pela natureza humana e as várias facetas em que ela se expressa. Afinal, por trás de todos os enfeites, nós somos quem somos.

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