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We are who We are e a liberdade de sermos quem somos

A conclusão pode não agradar a todos, especialmente àqueles que sentem a necessidade de ter todos os arcos dos personagens concluídos.
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+assista a série completa na HBO Brasil (assinatura necessária no serviço)

“Time will tell if you can figure this and work it out, no one’s waiting for you anyway so don’t be stressed now. Even if it’s something that you’ve had your eye on. It is what it is”. Esse trecho da música “Time will Tell”, do cantor inglês Blood Orange, serve como um hino reverberado inúmeras vezes na série e sintetiza a mensagem da obra: Nós somos quem somos. Em oito episódios de em média uma hora, We Are Who We Are, minissérie da HBO dirigida por Luca Guadagnino – mais conhecido pelo filme “Me chame pelo seu nome” – nos apresenta Fraser (Jack Dylan Grazer) e Caitlin (Jordan Kristine Seamón), dois jovens que vivem em uma base militar americana localizada na cidade de Chioggia, na Itália.

A série explora temas como identidade, sexualidade, gênero, família, patriotismo e a importância de uma comunidade, da presença de alguém que te entende e te aceita por completo. We Are Who We Are não se prende em uma narrativa rígida. Na série, como na vida dos seus personagens, tudo é fluido e ambíguo. Nenhum personagem é totalmente bom ou mal, nada é definitivo, não somos apontados com “isso é certo, isso é errado”.

+Normal People deixa no público a sensação de assistir algo real na tela.

divulgação / HBO

É essa ambiguidade que torna a série, seus personagens e as experiências abordadas tão realistas. A obra enfatiza a fluidez dos conceitos de gênero, sexualidade e da nossa concepção de si. Essa fluidez é ainda mais evidente no período da adolescência, onde prevalece a urgência pela vida, por novas experiências. A história se passa em 2016, época da campanha e eleição do ex presidente Donald Trump nos Estados Unidos. O contexto político da época é relevante na narrativa, já que temas como o patriotismo tóxico, racismo, homofobia e machismo são expostos.


No meio das turbulências deste período de suas vidas, Fraser e Caitlin encontram na sua amizade a aceitação que tanto desejam. A química entre os dois é magnética e suas personalidades se complementam. Juntos, eles adentram ainda mais fundo na busca pela sua identidade e servem de conforto mútuo.


Apesar da narrativa focar em Fraser e Caitlin, o conjunto de personagens secundários é excelente e serve para enriquece ainda mais a dinâmica da série. Algumas atuações merecem ser destacadas, como a de Chloë Sevigny como Sarah Wilson, mãe de Fraser e comandante militar da base; e Kid Cudi, que interpreta Richard, um militar conservador e pai de Caitlin.

+Denso, enigmático e difícil de digerir. Essas características de Estou Pensando em Acabar com Tudo irão afastar uma parte da audiência, que pode reduzir o filme a um ajuntamento pretensioso.


Além dos personagens, a direção de arte é outro grande trunfo de We are who we are, destacando-a das outras séries atuais no mercado. Guadagnino utiliza longas sequências, ângulos inusitados e até momentos surreais, que mantêm o telespectador engajado e enfatizam as emoções dos personagens. Outra técnica bastante usada por Guadagnino são cenas congeladas, que param o tempo e o espaço por alguns segundos e nos permitem refletir sobre a efemeridade de cada momento. As locações têm o devido destaque na história. Enquanto a base militar americana – projetada do zero – representa família, patriotismo e conformismo, a cidade de Chioggia e os arredores retratados dão aos personagens o espaço para serem quem são e explorarem sua identidade.

Minissérie tem conclusão, mas deixa abertura para segunda temporada


O episódio final de We Are Who We Are, ao mesmo tempo que dá uma conclusão a história, cria uma espécie de epílogo a parte. Nele, Caitlin e Fraser fogem da realidade para irem a um show de Blood Orange, banda favorita de Fraser e um dos elementos que os conectam. No espaço de tempo de um dia, vemos os dois personagens passarem por inúmeras experiências e realizações. Tudo é retratado de maneira eufórica, espelhando os sentimentos de Caitlin e Fraser, em especial durante o show, mostrado em uma longa sequência com 3 músicas. A cena final é catártica, banhada de ternura e um quê de clichê, subvertido em algo que é difícil de nomear, mas pode ser comparado a esperança. Nela, Fraser e Caitlin percebem que talvez tudo que precisamos é alguém que nos entenda, ou que esteja aberto a tentar.

+assim que a série estreou deixamos a nossa opinião, leia aqui.

divulgação / HBO


A conclusão pode não agradar a todos, especialmente àqueles que sentem a necessidade de ter todos os arcos dos personagens concluídos. Entretanto, Guadanigno está mais preocupado com a viagem do que com o destino final. O fato é que, apesar de ser uma obra completa, há abertura para um aprofundamento na história em uma segunda temporada.


We are who we are não é sobre finalmente descobrir quem você é, mas sim estar em paz com o fato de que somos feitos de inúmeros processos efêmeros ocorrendo simultaneamente. Em vários momentos, a série é frustrante e caótica, mas assim é a vida. No final, Nós somos quem somos, e está tudo bem.

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