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The Witcher – Dê poucos trocados ao seu bruxo…

Série desperdiça chance de criar algo épico, e será mais lembrada pela música chiclete do que pela história.
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assista aqui a série – NETFLIX (sujeito a assinatura)

Fala aí galera do Cinefans! Sentiram falta das minhas resenhas de séries? Podem ficar tranquilos que já estou de volta e venho com tudo para escrever sobre as séries do momento! Por exemplo… The Witcher (2019). Produzida pela Sean Daniel Company; Stilking Films; Platige Image; One of Us e Cinestine. E distribuída pela NETFLIX.

A mais nova série de fantasia da NETFLIX adapta os dois primeiros títulos da saga de livros homônima do polonês Andrzej Sapkowski: A Espada do Destino (1992) e O Último Desejo (1993). No entanto, os personagens são mais conhecidos pelo público geral através da bem-sucedida franquia de games baseados no universo fantástico dos livros. Dessa forma, a produção da série foi cercada de grandes expectativas dos fãs; e a escalação do astro de cinema Henry Cavill (Liga da Justiça) (que é um fã declarado da franquia) como o protagonista só incendiou o entusiasmo do público. Agora chegou a hora do veredito…

Yennefer de Vergenberg (Anya Chalotra), Geralt de Rívia (Henry Cavill) e Cirilla (Freya Allan) “The Witcher” – Sean Daniel Company; Stilking Films; Platige Image; One of Us; Cinestine/NETFLIX

A série gira em torno de três personagens principais: o lendário bruxo e caçador de monstros, Geralt de Rívia (Henry Cavill); a ambiciosa e poderosa maga, Yennefer de Vergenberg (Anya Chalotra); e a jovem e inocente princesa de Cintra, Cirilla (Freya Allan). Geralt passa a maior parte de seu tempo vagando pelas terras do Continente oferecendo os seus serviços em troca de dinheiro; Yennefer dedica a sua vida ora a vontade da Irmandade dos Magos ora aos seus próprios desejos; e Cirilla luta pela sua sobrevivência após o seu Cintra ser conquistada por Nilfgaard. Apesar de terem vidas e interesses diferentes, uma profecia misteriosa alinha os seus destinos.

+aqui: Com mais perguntas que respostas, segunda temporada de Dark prepara o terreno para a conclusão da série.

O enredo da série foca mais no desenvolvimento dos personagens do que na construção de uma história dinâmica e engajante para o público. Os protagonistas passam a maior parte da série separados uns dos outros e dividem o foco narrativo da trama. As aventuras de Geralt de Rívia tendem a não serem relacionadas umas com as outras, mas entretêm o telespectador e mostram cada vez mais que a imagem de um mutante de sangue frio, sem coração e descompromissado não passa de uma fachada em que o bruxo se esconde para lidar com a rejeição social da sua raça; a jornada de Yennefer de Vergenberg mostram como todo o poder e o prestígio que vem com a carreira de uma maga não são o bastante para a ambiciosa personagem e que apenas a dedicação a algo maior será capaz de preencher o vazio de seu coração; e as adversidades que Cirilla encontra em sua fuga mostram para a princesa as duras condições de vida da plebe durante os tempos de guerra.

Princesa Cirilla de Cintra (Freya Allan) “The Witcher” – Sean Daniel Company; Stilking Films; Platige Image; One of Us; Cinestine/NETFLIX

No entanto, apesar dos personagens evoluírem bastante ao longo da série, a experiência do telespectador é tediosa e maçante. Na tentativa de elaborar um quebra-cabeça narrativo em que todas as peças se encaixam no fim, a série acaba por confundir o telespectador com uma enorme quantidade de informações, pontos de vista diferentes e momentos no tempo diferentes. Dessa forma, os diálogos a respeito da situação em que o Continente se encontra e o papel que cada guilda e reino tem nesse contexto se perde em um mar de dados que o telespectador não domina completamente. Portanto, os momentos em que a série realmente brilha são as cenas de luta contra monstros e outros antagonistas.

+também: Quando um anjo e demônio precisam trabalhar juntos para evitar o apocalipse, tudo pode acontecer.

No que diz respeito às atuações, a performance de Henry Cavill como Geralt de Rívia não impressiona ou decepciona o telespectador. Ele incorpora com perfeição a aparência e o porte físico de um verdadeiro bruxo e caçador de monstros, mas a personalidade apática do personagem impede o astro de cinema de aproveitar o melhor do seu talento. No fundo, o que Henry Cavill ganhou neste papel foi a chance de viver um personagem que lhe é querido, nada mais que isso. Por outro lado, o público ganhou um ator comprometido e que faz justiça ao personagem. Um bom negócio para as partes, mas não deixa de ser um desperdício de talento.

A maga Yennefer de Vergenberg (Anya Chalotra) “The Witcher” – Sean Daniel Company; Stilking Films; Platige Image; One of Us; Cinestine/NETFLIX

A verdadeira surpresa foi a performance de Anya Chalotra (Wanderlust) como Yennefer de Vergenberg. A jovem atriz britânica soube aproveitar muito bem os complexos sentimentos da personagem e esbanjou talento em suas demonstrações de: tristeza, dor, raiva, poder e sensualidade. Vamos ficar de olho em suas próximas performances. Por outro lado, a ainda mais jovem Freya Allan teve pouco com o que trabalhar e a próxima temporada deve lhe dar maiores oportunidades de desenvolver a sua atuação. De resto, as performances dos personagens coadjuvantes foram de razoáveis a boas, sem muito brilho.

+veja: Como os astros e estrelas estão momentos antes da festa, confira aqui no pré show do Globo de Ouro.

A equipe de efeitos visuais fez a sua parte para dar um ar de magia e fantasia adequados, os figurinos dos personagens foram bem feitos e a maquiagem foi sempre convenceu quando necessária. Em suma, a série sucede nos aspectos técnicos.

O bardo Jaskier (Joey Batey) “The Witcher” – Sean Daniel Company; Stilking Films; Platige Image; One of Us; Cinestine/NETFLIX

Portanto, o ritmo lento e a sobrecarga de informações tornam The Witcher uma série tediosa e desgastante para os mais empolgados. No entanto, a evolução dos personagens é bem-feita e interessante, mesmo que eles não sejam muito cativantes. Os fãs do gênero e da franquia podem aproveitar os seus bons momentos. O resto pode ficar satisfeito com o hit do verão: Toss a Coin To Your Witcher; de Jaskier (Joey Batey), o nosso bardo favorito, que foi o personagem mais carismático e engraçado da série.

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