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"Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal" - COTA Films; Voltage Pictures; Third Eye Motion Picture Company/Netflix - Paris Filmes

Ted Bundy: Extremamente Fraco, Chocantemente Decepcionante e Ruim

Filme de Zac Efron como Ted Bundy imprime ritmo frenético e não se ajuda a entrar na mitologia do serial killer.
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Fala aí, galera do Cinefans!!! Sentiram a minha falta? Podem ficar tranquilos, porque essa semana eu venho em dobro!!!

“Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal” – Paris Filmes

O audiovisual está gostando cada vez mais de expor e/ou criar histórias de terroristas, psicopatas, sociopatas e serial killers. Não que eles sejam estranhos à indústria ou ao espectador. Eles sempre fizeram parte do entretenimento, geralmente unifacetados no papel de antagonista. No entanto, esses personagens têm conquistado cada vez mais espaço como protagonistas de séries e/ou filmes. Na TV, Dexter (2006-2013) angariou uma legião de fãs; assim como Hannibal (2013-2015), The Fall (2013-2017) e Bates Motel (2013-2017); a minissérie Manhunt – Unabomber (2017) também fez um enorme sucesso. No momento, a bola da vez parece ser Mindhunter (2017-presente); que se tornou uma das mais aclamadas séries originais da Netflix. No cinema, Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008) nos concedeu a melhor versão do Coringa até o momento na pele do postumamente oscarizado Heath Ledger este ano o personagem ganha o seu filme de origem solo estrelado por Joaquin Phoenix, e rumores sobre novas possíveis indicações ao Óscar já começaram a circular pela Internet. Isso tudo mostra como o imaginário por trás desses personagens cresce cada vez mais.

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Dessa forma, não havia melhor momento para que Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal fizesse a sua estréia nas telonas. Encabeçado por Zac Efron (O Rei do Show) e Lily Collins (Simplesmente Acontece), o longa-metragem nos apresenta um dos serial killers mais famosos da História dos Estados Unidos; um homem responsável pela morte de mais de 30 mulheres ao longo da década de 1970. No entanto, Ted Bundy chamava mais atenção pelo seu charme e carisma do que pelos seus crimes em questão; o seu status de sub-celebridade norte-americana chegou ao ponto de fazer com que o seu grande julgamento fosse o primeiro a ser transmitido ao vivo pela televisão. Era difícil enxergar a sua verdadeira face por baixo de tanto bom-humor, inteligencia e beleza; mas a realidade é que Ted Bundy sempre foi Extremamente Perverso, Chocantemente Mal e Vil (tradução livre do título original em inglês do filme: Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile).

Elizabeth “Liz” Kendall (Lily Collins) e Ted Bundy (Zac Efron) “Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal” – COTA Films; Voltage Pictures; Third Eye Motion Picture Company/Netflix – Paris Filmes

No entanto, o filme acaba sendo muito fraco e decepcionante. É claro que não era possível abordar tudo por trás da história de Bundy em um único filme; caso queiram todos os detalhes eu recomendo a série documentária original da Netflix: Conversas com um Serial Killer – Ted Bundy (2019) que foi lançada há poucos meses e explica muito bem todo o desenvolvimento do caso contra ele. O roteiro do filme precisa fazer um recorte de sua história e escolher o ponto de vista por onde ela seria contada. Haviam várias possibilidades interessantes, mas ao invés de optar por uma delas, o roteiro tenta usar todas de uma vez só. O resultado é um filme frenético que sacrifica desenvolvimento de personagem em favor de fatos históricos. Ao refletir sobre o filme, o sentimento que fica é o de desorientação completa.

“Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal” – COTA Films; Voltage Pictures; Third Eye Motion Picture Company/Netflix- Paris Filmes

Por outro lado, não se pode reclamar do empenho do elenco no filme. Zac Efron surpreende como Ted Bundy; ele tem a aparência adequada e esbanja carisma, duas coisas essenciais para o personagem. Entretanto, nas poucas vezes em que o lado sombrio de Bundy é abordado pelo filme, o ator falha em transmitir aquela aura sinistra de um predador de sangue frio tão característica de um serial killer. Mesmo assim, deve-se reconhecer a versalidade de Efron em abordar o lado público de Bundy, o que ele faz com perfeição. Por outro lado, Lily Collins acaba presa em um papel que não lhe dá muito com o que trabalhar; Elizabeth “Liz” Kendall tem o seu mundo virado de ponta a cabeça quando o seu namorado de longa data se torna o principal suspeito de todos aqueles crimes bárbaros. As dificuldades que a personagem enfrenta são pobremente abordadas e o seu momento de catarse no final do filme não termina sendo tão forte quanto poderia ter sido.

“Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal” – COTA Films; Voltage Pictures; Third Eye Motion Picture Company/Netflix – Paris Filmes

Nos demais assuntos o filme é adequado. Não há nada de especial a mencionar sobre a direção ou a trilha sonora. Os figurinos e as ambientações estão dentro da qualidade necessária. Há poucas cenas fortes; apenas duas no final do filme, que funcionam com o único objetivo de nos impactar minimamente antes dos créditos subirem.

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Portanto, o filme é uma tentativa fraca e decepcionante de se abordar uma figura e um caso tão marcantes na História do Crime dos Estados Unidos. Assistir ao filme é uma experiência vazia para quem quer conhecer mais a fundo tanto os crimes quanto o personagem. E criticá-lo é um exercício de expor os defeitos em um pedaço de arte o qual eu queria tanto querer falar bem. No fundo é uma grande pena; para o filme, para os atores, para o público e para mim, o crítico.