Stranger Things e o perigo do desgaste…

Nova temporada foca nos jovens, mostra sinais de desgaste mas ainda dá esperança para o futuro da série.
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Fala aí, galera do Cinefans! As semanas passam e as resenhas não param de sair! Hoje o assunto é a terceira temporada de Stranger Things, uma das principais e mais populares séries originais da Netflix. No entanto, parece que já estar se aproximando da hora de pisar no freio e parar enquanto está ganhando, seja por muito ou por pouco.

Nessa nova temporada, a nossa turma de goonies tem que lidar com uma invasão secreta de russos que planejam reabrir o portal para o Mundo Invertido. Enquanto isso, o Devorador de Mentes aproveita a oportunidade para se infiltrar lentamente pela cidade e formar um exército de minions a seu serviço. Dessa forma, personagens velhos e novos irão se reunir para lidar com cada uma dessas ameaças e garantir com que as coisas não fiquem mais estranhas do que já são em Hawkins.

“Stranger Things” – 21 Laps Entertainment; e Monkey Massacre/Netflix

Um dos principais problemas da terceira temporada está na demora para desenvolver o enredo nos primeiros 3 episódios. Uma vez que a nova temporada tem apenas 8 episódios, o telespectador espera que os objetivos sejam estabelecidos com dinamismo para que os personagens possam começar a tomar um papel ativo na história. No entanto, a primeira metade da temporada foca demais no relacionamento entre Onze “On”/Jane Hopper (Millie Bobby Brown) e Mike Wheeler (Finn Wolfhard) e de menos na ameaça dos russos e do Devorador de Mentes. Não me entendam mal. As crianças continuam sendo um charme à parte na série e o crescimento individual e grupal delas é importante para a série, mas não se pode priorizar tramas secundárias em detrimento das primárias. Afinal de contas, essa é uma série de ficção-científica e mistério, não um drama pré-adolescente.

Onze “On”/Jane Hopper (Millie Bobby Brown) e Maxine “Max” Mayfield (Sadie Sink) “Stranger Things” – 21 Laps Entertainment; e Monkey Massacre/Netflix

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Dito isso, os nossos personagens sofrem com o extremo protagonismo de alguns e a irrelevância de outros. A Onze continua como uma protagonista inegável, seja como uma arma psíquica contra as ameaças do Mundo Invertido, seja como uma garota ainda ingênua tentando encontrar o seu lugar no mundo; o papel de Mike, por outro lado, acaba sendo restrito ao de namorado possessivo/preocupado, precisando entender que Onze é dona de si mesma e não depende dele pra nada. Maxine “Max” Mayfield (Sadie Sink) é reduzida ao papel de melhor amiga da Onze e a responsável por abrir os olhos dela para o mundo fora da cabana de Jim Hopper (David Harbour) e da turma de Mike, mas Max não faz muito mais que isso, o que é um desperdício de uma personagem tão promissora introduzida na segunda temporada. E se formos falar de Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin), coitado do personagem… O namorado de Max é praticamente nulo na maior parte do enredo, a não ser por uma série de diálogos bem-humorados com meia-dúzia de personagens ao longo da temporada e uma ideia boa. O relacionamento de Max e Lucas não é nem um pouco explorado, ao contrário do de Mike e Onze, mais uma vez, um desperdício. O pequeno Will Byers (Noah Schnapp) tem mais tempo de tela do que em outras ocasiões, mesmo ele começando a temporada como o mais criança e preso no passado da turma (o que, de longe, faz dele o personagem mais relacionável da primeira parte da história) ele também se torna peça fundamental para o combate ao Devorador de Mentes, devido ao seu passado com o Mundo Invertido.

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Joyce Byers (Wiona Ryder) e Jim Hopper (David Harbour) “Stranger Things” – 21 Laps Entertainment; e Monkey Massacre/Netflix

No outro extremo dos personagens, os adultos acabam tendo um papel mais interessante, mas desgastante. Jim Hopper e Joyce Byers (Wiona Ryder) formam uma dupla dinâmica na caça aos russos na cidade de Hawkins enquanto tentam descobrir o que exatamente é a relação entre os dois. A coexistência entre os dois é boa, mas torna-se desgastante com o tempo, sendo apenas suportável pelas personalidades cômicas de personagens secundários da trama. Nancy Wheeler (Natalia Dyer) e Jonathan Byers (Charlie Heaton) começam enfrentando problemas em seus estágios no Hawkins Post, mas logo eles não só descobrem como se tornam nos guerreiros de sempre contra as forças do Devorador de Mentes.

Robin (Maya Hawke), Steve Harrington (Joe Keery) e Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) “Stranger Things” – 21 Laps Entertainment; e Monkey Massacre/Netflix

Por fim, o grupo de personagens mais interessante (menos um) da temporada. Em primeiro lugar, o nosso querido Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) continua fofo, nerd e muito relevante para a trama, sendo responsável por descobrir uma mensagem secreta russa. O paizão dos menores de Hawkins, Steve Harrington (Joe Keery), também está de volta e tem que lidar com a vida pós-ensino médio enquanto mantém Dustin em segurança na caça aos russos. A estreante da temporada, Robin (Maya Hawke), chega chegando como uma jovem inteligente e cheia de personalidade pra ajudar Dustin e Steve. Por outro lado, Erica Sinclair (Priah Ferguson), irmã mais nova de Lucas e a última roda desse carrinho de personagens, é uma grande decepção. Após algumas aparições marcantes na segunda temporada foi anunciado que Erica ganharia mais destaque na seguinte, mas a sua personagem acaba sendo extremamente irritante na maioria das suas participações. Nem mesmo as suas ocasionais tiradas boas salvam o papel, mais um desperdício.

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Millie Bobby Brown “Stranger Things” – 21 Laps Entertainment; e Monkey Massacre/Netflix

Portanto, o Troféu de Melhor Atuação da Temporada vai para… Millie Bobby Brown (Godzilla 2 – Rei dos Monstros) e Maya Hawke (Little Women). As duas transbordaram talento de diversas formas diferentes! Millie demonstra ser capaz de expressar bastante emoção em sua atuação, seja na tristeza ou na fúria, uma jovem com futuro. Maya incorpora perfeitamente o perfil de uma outsider na série e toca o telespectador com seus momentos de vulnerabilidade, mas se não é talento o que corre nas veias da filha de Uma Thurman (Kill Bill: Volume 1 & 2) e Ethan Hawke (Boyhood), eu não sei o que é. As duas não ficarão muito tempo longe de nós! Ainda esse ano, Maya Hawke participa do elenco de Era Uma Vez Em Hollywood junto do oscarizado Leonardo DiCaprio (O Regresso), dos já indicados Brad Pitt (Corações de Ferro) e Margot Robbie (Eu, Tonya), e sob a direção do genial Quentin Tarantino (Os Oito Odiados). Por outro lado, Millie vai estrelar Enola Holmes em 2020 ao lado de Henry Cavill (Liga da Justiça) e de Helena Bonham Carter (Ocean’s 8).

Maya Hawke “Stranger Things” – 21 Laps Entertainment; e Monkey Massacre/Netflix

Mas voltando à Stranger Things… Entendo que a minha visão da série até agora tem sido bem focada no lado ruim, mas conforme a série foi avançando, o tom dela foi se acertando. A segunda metade da temporada foi muito boa e nos trouxe momentos marcantes e repletos de emoção. O final deixa em aberto as possibilidades para o futuro da série, da mesma forma que o final da segunda temporada, então vamos ter que esperar para ver o que acontece. Todos os aspectos técnicos foram impecáveis, principalmente levando em consideração a ambientação na década de 1980.

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Finalmente, quero deixar registrado que sou fã da série desde o seu início, mas começo a ver o surgimento de uma fórmula. Isso me dá medo. As aventuras não podem se tornar genéricas e/ou repetitivas. O monstro do ano não pode ser o bastante. Temos que ter a noção de crescimento em relação ao mistério. Além disso, essa temporada tentou se sustentar muito no charme e no drama pré-adolescente e pouco no mistério do Mundo Invertido. Não aprendemos nada novo sobre ele. Portanto, eis o que eu espero dos Irmãos Duffer no caso de novas temporadas: 1) Quero que eles aproveitem mais os personagens; 2) Quero um foco maior no verdadeiro tema da série, o misterioso Mundo Invertido; e 3) Quero ser surpreendido pela brilhante criatividade que vocês demonstraram na primeira temporada. Não me parece muito. Se for demais, acho melhor guardarmos as bicicletas…

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