Sangue no Taj Mahal

Drama que recria atentado que chocou o mundo chega atrasado aos cinemas mas ainda vai te fazer refletir sobre o tempo que vivemos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

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Será que existe alguma produção norte-americana boa na qual a maior parte do elenco não seja branca? Sim! E de quebra ainda traz o selo “baseado em fatos reais”, um frio na barriga extra para aqueles que gostam de flertar com filmes documentais. “Atentado ao Hotel Taj Mahal” (2018) que está estreando hoje nos cinemas, e é a pedida certa para os amantes do suspense com pinceladas comedidas de drama.

“Atentado ao Hotel Taj Mahal” – Imagem Filmes

O longa nos transporta para 11 anos atrás. Em 2008, o grupo islâmico Lashkar-e-Taiba executou 12 ataques na Índia, sua maioria concentrada em Mumbai, deixando 164 mortos e mais de 300 feridos. O grande alvo do grupo era o hotel Taj Mahal, em Mumbai, palco principal do filme. Estadia luxuosa da aristocracia internacional, o hotel foi a hospedagem de escolha do casal Zahra (Nazanin Boniani) e David (Armie Hammer), além do ex-agente soviético Vasilli (Jason Isaacs). Durante o longo ataque arquitetado por dez terroristas, o chef de cozinha Hemant Oberoi (Anupam Kher) e  seu humilde garçom Arjun (Dev Patel) tentam encontrar uma forma de proteger os hóspedes. 

“Atentado ao Hotel Taj Mahal” – IMAGEM FILMES

“Atentado ao Hotel Taj Mahal” trabalha com bastante sagacidade as transições entre o drama de funcionários e hóspedes presos no hotel e o suspense dos atiradores percorrendo a imensidão de quartos e corredores. A tensão do atentado em larga escala começa pela escolha dos diálogos e da forma de iniciar a narrativa, além da própria construção da imagem, acompanhando milimetricamente os passos do ponto de vista da vez – característica típica dos famosos jump scares de filmes de terror e suspense. 

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Ao longo da história, o roteiro se preocupa em contar um pouco sobre a vida de cada personagem de destaque, construindo, a partir daí, o modus operandi que irão seguir até o fim. Nesse sentido, vale ressaltar a atuação sempre excepcional de Dev Patel, trazendo expressão e sentimento para o papel crucial de Arjun, um simples garçom. Também é importante destacar a atuação de Amandeep Singh como Imran, um dos responsáveis pelo ataque. Durante a narrativa, os roteiristas escolheram o seu personagem para representar certa humanização também dos integrantes do grupo islâmico. Ao meu ver, uma pincelada interessante que tenta suavizar o aspecto maniqueísta Oriente Médio x Estados Unidos. 

O roteiro é bem aceitável para um filme de suspense, e algumas atuações até merecem lugar de destaque na mise en scene, ajudando mesmo a reforçar a gravidade do ataque tanto para os que acompanharam pela mídia quanto para os reféns. Mas o filme ainda deixou a desejar. A construção da narrativa mais uma vez reforça estereótipos do islamismo, apresentando claramente muçulmanos como símbolo do terrorismo internacional, indianos como um povo pacífico e os personagens brancos como salvadores ou heróis. Essa dinâmica é incorporada tanto por David (Armie Hammer) quanto por Vasilli (Jason Isaacs), ambos tomando atitudes imprudentes mas consideradas heróicas. 

“Atentado ao Hotel Taj Mahal” – IMAGEM FILMES

A tentativa de suavizar esse discurso pela humanização de Imran traz um aspecto interessante para o filme, que é a relativização. Embora fique claro que o grupo islâmico é o vilão da história, eles não deixam de apresentar esses homens como seres humanos, com família, temores e preceitos, por mais que questionáveis que sejam. Momentos como esse são alívios dentro da tensão constante do filme e, sem dúvida, foi uma escolha certa. 

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Pedida certa para quem não se incomoda com o coração acelerado e atenção redobrada na história, “Atentado ao Hotel Taj Mahal” apresenta fatos reais com precisão e com atuações que permitem passar o sentimento e a perturbação dos atentados para moradores e visitantes de Mumbai. O reforço de um discurso há muito reiterado na mídia empobrece um pouco a narrativa mas, no geral, as duas horas do filme entregam o que se propõem a apresentar: um suspense bem feito. E aí, já descolou um programa para esta sexta-feira hein!

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