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Samantha! - Netflix

Review – Samantha! (2ª temporada)

Samantha tenta se encontrar seu rumo como pessoa e como série na segunda temporada.
5/5
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O importante é não deixar de acreditar! Ou pelo menos, é o que diz o lema pessoal da protagonista desta série brasileira que estreou a sua primeira temporada em julho do ano passado. A temática tratava de algo familiar ao Brasil, a televisão e os absurdos pelos quais faziam passar as crianças nos anos 1980, assim como o clima geral das cenas, típicas dos seriados mais populares da Rede Globo: família em confusão. Embora a segunda temporada de Samantha! mantenha a leveza e as melhores características da primeira, peca na continuidade assim como traz uma história espaçada e inconsistente.

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O tema é um dos fatores mais interessantes, principalmente pelos paralelos que se conhecem da vida real. Quando criança, durante os loucos anos 1980 em que indústria televisiva brasileira crescia exponencialmente, Samantha era a estrela de um programa infantil no maior estilo Balão Mágico encontra Planeta Xuxa. No entanto, 30 anos depois a ex-estrela mirim precisa lidar com a sombra do sucesso que fazia no passado, tentando veementemente retornar ao estrelato.

“Samantha” – Netflix

Durante a segunda temporada, a jornada de Samantha! (sim, com a exclamação no final, pois é assim que escolhe ser chamada) envolve desapegar-se da sua imagem infantil e tentar ser reconhecida como artista séria e adulta. Como dito antes, o tema é algo realmente interessante, porém haveria muitas abordagens nas quais os roteiristas podiam ter-se debruçado. Por exemplo: sabe-se que a maioria dos artistas, principalmente os que eram crianças e que foram demasiado famosas nos anos 1980, encontraram diversos problemas psicológicos uma vez que não havia qualquer tipo de preocupação, pelo contrário, havia exploração do trabalho daqueles.

Nessa perspectiva, pode-se entender que talvez os produtores escolheram manter o clima amigável e descontraído, mas acontece que eles abordam o descaso e os traumas da protagonista nos últimos três episódios. Não haveria problema nisso, caso os quatro episódios precedentes não acabassem com uma sensação de “encheção de linguiça”, com histórias paralelas que não acrescentam à trama e informações jogadas que serão abandonadas de um capítulo para o outro.

“Samantha” – Netflix

Aqui se encontra outro problema de roteiro: a forma como são escritos os personagens coadjuvantes. Por exemplo, a Cindy (Sabrina Nonato), filha mais velha da Samantha!, é uma adolescente ativista que representa um contraste ao egocentrismo e sua mãe, mas que acaba sendo escrita com o clichê da militante radical chata com quem ninguém tem paciência. Dessa forma, a personagem que devia representar o choque da protagonista com o século XXI termina por gerar antipatia com o público. Também se peca em deixar certos personagens muito caricatos, o que não normalmente não apresentaria problema se houver fluidez, no entanto, não é este o caso.

“Samantha” – Netflix

A segunda temporada de Samantha! é mais fraca do que a primeira. Existem muitos erros de continuidade e alguns personagens podiam ser mais bem trabalhados, assim como os próprios traumas de uma adulta que sofreu abusos psicológicos quando criança. No entanto, existem pontos bons da primeira temporada reaproveitados aqui como o humor auto referencial e a maestria da Emanuelle Araújo. Uma terceira temporada ainda não foi confirmada, porém, se sim, existem esperanças de melhoria. O importante é não deixar de acreditar.

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Porém a força da séria se encontra ainda na própria Samantha! e na genialidade de Emanuelle Araújo. A atriz continua a trazer empatia para uma personagem que tem tudo para não inspirar nenhuma: a Samantha! é egocêntrica, egoísta, ambiciosa e indelicada, mas ao mesmo tempo é impossível não torcer pelo sucesso dela. É possível enxergar nos olhos mareados, nos sorrisos falsos ou genuínos e no inflar das narinas todos os sentimentos que passam pela cabeça da protagonista, mesmo que o texto não entregue tanto.