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"Coisa Mais Linda - Netflix"

REVIEW COISA MAIS LINDA [1ª TEMPORADA]

Nova série do Netflix quer inaugurar nova fase para as produções nacionais!!! Leia o review, veja a série e comente!
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Assista aqui a temporada completa de “A Coisa Mais Linda” no Netflix

“Quanto que você se perdeu todas as vezes que teve que se comportar como uma dama?” Esta é uma das muitas provocações presentes em Coisa Mais Linda, a mais nova série brasileira da Netflix, é feita para deslanchar as produções brasileiras no mercado internacional. A história traz temas atuais, abordados no descontraído clima carioca dos anos 1950. Com uma fotografia e trilha sonora apaixonantes e com personagens incríveis e maravilhosas (e uns coadjuvantes detestáveis), Coisa Mais Linda é simpática e atraente, embora pudesse ter ido mais além nas suas abordagens.

Rio de Janeiro, 1959. Maria Luiza (Maria Casadevall) chega à então capital brasileira para encontrar seu marido, na expectativa de, juntos, abrirem um  restaurante. No entanto, o espírito da paulista é esmagado ao saber que o marido havia fugido com todo o dinheiro do investimento. Arrasada, Malu, como passa a ser chamada, encontra apoio e força em três outras mulheres, e constrói seu próprio negócio enfrentando todos os preconceitos e entraves colocados pela sociedade por ser mulher: um bar de música ao vivo.

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Coisa mais linda merece atenção e aplauso por muitos de motivos. Em primeiro lugar, é uma série brasileira, que celebra a música e a cultura brasileira, apesar do fato de ser claramente feita com certo apelo internacional, pois balanceia um cenário que chama atenção pela sua excepcionalidade, mas com uma história que gera empatia independente da cultura. Uma prova disso é a abertura com a célebre canção de Tom Jobim e Vinícius de Morais, Garota de Ipanema, em sua versão inglesa. Mas isso não impede que a série tenha recheios de brasilidade, encontrando o ponto que não caia no puro estereótipo (há cenas na praia e no samba, mas não há hipersexualização do corpo feminino nem retrata o brasileiro como simples boêmio)


“Coisa Mais Linda – Netflix”

Em seguida, há o fato de a série ser belissimamente produzida. A fotografia saturada, o ângulos da câmera e a música ajudam na imersão de época e a contar a história. O trabalho de som também atua perfeitamente nessa área, seja na força das ondas do mar, seja nos assobios de bem-te-vis. O próprio fato de se passar nos anos 1950 traz um charme adicional, com o surgimento da bossa nova e boemia, ao mesmo tempo em que o Brasil está em um processo de mudança de capital. É mostrada a ambiguidade entre a inspiração no americano e a satisfação do que faz a brasilidade ser única.


“Coisa Mais Linda – Netflix”

Por último e não menos importante, há a maior força da série: as mulheres. Juntamente à jornada de autodescobrimento de Malu, encontram-se Adélia (Patrícia Dejesus), Lígia (Fernanda Vasconcellos) e Thereza (Mel Lisboa), que representam três outras facetas da luta feminina. Adélia é uma empregada negra, que trabalha desde criança para sustentar a casa, e que eventualmente vira sócia de Malu. Lígia, que é uma mulher vibrante e aspirante à cantora, mas tem que lidar com a carga de ser uma mulher “de respeito” na alta sociedade carioca. E Thereza, que morava em Paris, editora de uma famosa revista feminina, onde é a única mulher, mas que é uma imagem da convicção e liberdade.

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Todas elas passam por uma sequência de situações e diálogos que chocam não apenas por o espectador sentir a injustiça que lhes acontece, mas por as mesmas frases ainda serem expostas em pleno 2019. Ver a trajetória delas torna a série rica para as mulheres, que se sentem feitas jus, e ao mesmo tempo para os homens a fim de ser um quadro explícito do que o primeiro grupo passa diariamente.

“Coisa Mais Linda – Netflix”

Mas, apesar de todas as virtudes, existem alguns defeitos perceptíveis. Um problema é com relação a cortes e erros de continuidade narrativa. Existem enredos que se apresentam no começo que perdem a importância até o último capítulo, não dando em lugar nenhum, o que deixa certas cenas um tanto gratuitas. Mesmo entre as cenas há cortes bruscos e evidentes. Outro defeito é que, por se tratar de uma série onde a música atua quase como um personagem, há uma absurda falta de direção quanto à dublagem dos atores cantando (é muito claro que eles não estão cantando, apenas gesticulando). No entanto, isso não vai prejudicar por inteiro a experiência.

Coisa Mais Linda é uma série que coloca em pauta temas importantes (feminismo, sororiedade, falsidade das elites, preconceito social e racial, agressão, alcoolismo, relacionamento abusivo,…), mas é muito gostosa de assistir, além de celebrar a força e magnificência da mulher brasileira. É uma carta de amor a todas as mulheres, de todas as décadas.

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