"Black Mirror: Rachel, Jack and Ashley too" - Netflix Inc.

Rachel, Jack and Ashley too – Black Mirror 5×03

Nesse episódio da quinta temporada parece mostrar que a série segue em uma direção pop em detrimento da crítica social.
5/5

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Desde sua compra pela Netflix em 2015, Black Mirror está entre as séries mais populares e com as estreias mais esperadas do mundo pop. Isso se deve ao fato dos episódios se apropriarem do tema da tecnologia, cada vez mais dominante nas vidas pessoais, e expandirem absurdamente, mas sem chegar a qualificar-se com ficção cientifica. O intuito de criar uma crítica social através da valorização crescente que a tecnologia toma deixava um sentimento pesado e pessimista ao fim de cada episódio. No entanto, com a quinta temporada parece que eles preferiram seguir, mas uma direção pop em detrimento da crítica social.

“Black Mirror: Rachel, Jack and Ashley too” – Netflix Inc.

O terceiro episódio da nova temporada foi um dos mais aguardados, isso porque ele marca a volta de Miley Cyrus como atriz, atividade que ela não exercia há pelo menos dois anos. Existem duas histórias paralelas aqui: a dinâmica familiar entre as irmãs Rachel (Angourie Rice) e Jack (Madison Davenport) e o gerenciamento da carreira da cantora pop Ashely O (Miley Cyrus). O episódio começa enfocando a personagem da Rachel e sua solidão uma vez que era uma aluna novata, estabelecendo-a como a tímida e  que encontra sua inspiração na artista supracitada. Ashley O é uma cantora pop que tem sua carreira embasada em transmitir mensagens platificadamente positivas para adolescentes, e que tem sua carreira gerenciada pela própria tia.

“Black Mirror: Rachel, Jack and Ashley too” – Netflix Inc.

A tecnologia selecionada para conduzir este episódio é então introduzida quando a Rachel adquire o lançamento de uma versão IA (inteligência Artificial) da cantora: uma mini robô chamada Ashley Too. Ao mesmo tempo em que acompanhamos o envolvimento da Rachel com a boneca, vemos os bastidores da artista que tem sua carreira estrategicamente planejada e conduzida pela sua gerente. Uma carreira completamente falsa e construída para o marketing, o que deixa a Ashley em gradativa depressão.

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Assim, sem maiores spoilers, a reflexão final do episódio fica mais por conta da artificialidade de muitos artistas, e como eles acabam por se tornar mais um produto, como se manufaturados em laboratórios. Há inclusive a metáfora do rato para experimentos, uma vez que o pai das irmãs é mostrado tentando construir um rato mecânico entre outras maneiras menos cruéis de tratamento com os roedores. É também interessante a participação da Miley Cyrus, pois parece uma alusão à figura da Hannah Montana, imagem que marcou a sua carreira e a qual ela lutou muito tempo para se libertar.

De fato são sessenta e sete minutos bem aproveitados. A opção por duas histórias paralelas com uma clara conexão eventual dá ritmo ao episódio, não chegando a ser enfadonho como são alguns do passado. A narrativa das duas irmãs, bastante diferentes uma da outra, é bem relacionável, principalmente para aqueles que já gostam de um drama colegial. No entanto, Black Mirror é uma série da qual se espera resultados um pouco acima do apenas “legal”. Faltou maior presença da tecnologia, e das consequências que esta pode trazer em um futuro não muito distante.

“Black Mirror: Rachel, Jack and Ashley too” – Netflix Inc.

 Por exemplo, apesar de a Angourie Rice convencer como uma Rachel vulnerável, receosa e inocente, podia ser presente uma maior dependência da personagem para com a boneca, alguma maneira como a artificialidade de frases planejadas para fazê-la sentir como se tivesse uma amiga afetaria seu comportamento. Por tabela, também poderia ser maior o atrito com a outra personagem que integra o título, uma vez que de fato é levantado, mas nunca aprofundado, como a Jack se sente quanto a tal relacionamento. o terceiro ato do episódio fica mais interessante e a Miley Cyrus está muito bem interpretando o sofrimento da artista que não pode se expressar, mas no final está tudo muito bem, e não existem maiores consequências.

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No fim, o episódio mais esperado está muito aquém do que deveria ser. Parece que funcionaria muito mais como um daqueles filmes adolescente de verão lançados pela Netflix, do que propriamente um episódio de Black Mirror O clima está bem mais teen, colorido e alegre, não existe peso e nem aquela sensação negativa ao ver o lado feio da sociedade responsável por popularizar esta antologia. Então, para quem estava na expectativa da nova temporada para ficar arrasado, melhor os melhores episódios antigos, quando Black Mirror não se importava tanto em plastificar seu conteúdo em prol da popularidade.