PROJETO POWER, VALE A PENA?

Premissa criativa não se salva de roteiro previsível e recheado de clichês.
5/5

Avaliação: 3 de 5.

SEM SPOILERS

Em 2019 o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) encerrou a sua grande saga depois de 10 anos, durante cujo tempo foi exemplo de revolução no gênero de super-heróis. Conforme ia chegando ao fim da década, Hollywood já sentia a saturação do formato e se perguntava quais seriam as novas maneiras de retratar tais seres humanos ultrapoderosos. A mais nova tentativa da Netflix veio com uma ideia criativa e com camadas de denúncia social com o lançamento de Projeto Power. 

Assista ao Projeto Power no NETFLIX

Projeto Power tem uma premissa criativa, como colocado anteriormente. Na cidade de New Orleans, inicia-se a compra e venda no mercado negro das pílulas de Power, as quais concedem superpoderes àqueles que a consomem, mas com dois poréns: 1) você não sabe qual poder irá obter e o quão letal ele pode ser para si ou para os outros, e 2) os efeitos duram apenas cinco minutos. 

divulgação / NETLFIX

Neste contexto, acompanhamos a trajetória de três principais personagens: Robin (Dominique Fishback), uma adolescente de ensino secundário que vende as pílulas ilegalmente nas ruas para poder pagar os remédios da mãe; Frank (Josesh Gordon-Lewitt), um policial que quer ver a justiça nas ruas da cidade a qualquer custo, mesmo que isso signifique fazer uso do Power, o que leva a tornar a Robin a sua protegida; e por último Art (Jamie Foxx), um ex-militar que está tentando recuperar a sua filha  dos fabricantes da droga. 

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Ao assistir Project Power é preciso manter em mente que este se trata de um filme de ação e é bastante claro que a proposta principal aqui é o entretenimento. No entanto, tal qual Matrix, por baixo da camada de “filme de ação” e “filme de super-herói” é possível ver um comentário não tão sutil que os diretores colocam sobre violência e corrupção policial, a satisfação imediatista do consumo de drogas assim como todo o sistema criminoso que se forma em cima deste comércio. Como ele consegue entranhar-se nas sociedades deste as camadas mais baixas até a alta sociedade e ainda corrompendo governos. 

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O longa também ganha valor por conta das decisões visuais. Não é apenas fotograficamente bonito e rico, abusando das dinâmicas cores do amarelo e vermelho, mas também sendo criativo nas cenas de ação, que conseguem sair daquela cansativa câmera na mão e cortes rápidos para disfarçar os dublês e as coreografias. Tudo isso é herança de trabalhos passados dos diretores Ariel Schulman e Henry Joost nos filmes Nerve (2016) e na franquia Atividade Paranormal. 

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No entanto, o filme é recheado de clichês do gênero. A premissa criativa não o salva de um roteiro previsível, e aqui, portanto, não existem grandes surpresas ou revelações. Os personagens principais atuam muito bem, principalmente o Joseph Gordon-Lewitt. A personagem da Dominique Fishback é operante como um artifício de roteiro para juntar os outros dois protagonistas e tem bons momentos com ambos, e até funciona até certo ponto como alívio cômico. O personagem que mais deixa a desejar é o vilão vivido por Rodrigo Santoro, pois parece ser interessante no primeiro momento, mas acaba gerando um grande anticlímax no final do segundo ato. 

Project Power é um filme divertido, com uma premissa criativa e com algo a dizer, no entanto recheado de previsibilidade. Mesmo perdendo o fôlego nos momentos finais vale a pena conferir pelo valor do entretenimento e pode até gerar debates legais tanto sobre a sociedade quanto o que esperar do futuro dos filmes de herói.