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Netflix Inc.

Precisamos falar sobre Tidelands!

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Série com elementos místicos da Netflix peca em vários aspectos.

Mistura entre místico e suspense, a Netflix aposta, a partir de 14 de dezembro, em mais uma série original, Tidelands. A produção australiana teve direito a propagandas no YouTube e um espaço privilegiado no próprio site de streaming, instigando os ávidos seguidores das novidades do audiovisual. Embora a divulgação da série tenha sido massiva dentro e fora da Netflix, seu conteúdo, sem dúvida, deixou a desejar.

A produção narra a história de Cal McTeer (Charlotte Best) que, depois de 10 anos a prisão, retorna para sua cidade natal e pequena vila de pescadores, Orphelin Bay. Seu retorno, todavia, ocorre no mesmo momento em que um pescador misteriosamente é encontrado morto. Ao chegar na cidade, o reencontro de Cal com o irmão (Aaron Jakubenko) e sua mãe (Caroline Brazier) traz mágoas do passado e um conhecimento mais aprofundado sobre o negócio familiar, além de levantar questionamentos sobre seu passado e sua origem.

Sua volta à cidade, aliada ao misterioso assassinato, permite que a jovem conheça os Tidelanders”, seres místicos que são metade sereia e metade humanos que habitam um local chamado L’Attente. Quanto mais adentra nesse novo mundo, mais Cal encara Adrielle CuthBert (Elsa Pataky), líder dos tidelanders, como ameaça.

TIDELANDS – divulgação Netflix

Os criadores e escritores Stephen M. Irwin e Leigh McGrath ousaram ao construir uma narrativa pautada no mundo místicos das sereias, temática pouco abordada no gênero fantasia. Além disso, a escolha de um ator brasileiro, Marco Pigossi (A Força do Querer), para o elenco atraiu bastante a atenção do público nacional para a série, e sua participação conseguiu atingir as expectativas esperadas de um grande ator no cenário internacional. Os produtores também acertaram na escolha da trilha sonora, ajudando a construir a atmosfera mística e misteriosa da série.

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Outro fator bem relevante para a história e devidamente executado ao longo dos episódios é o uso vívido dos efeitos especiais em grande parte das cenas, trazendo um aspecto de realidade quase grotesca, condizente com a atmosfera da trama. A utilização de cores chamativas pelos “tidelanders”, em contraponto com as roupas de Cal e Augie McTeer, geralmente brancas, pretas ou marrons, também cria essa sensação de tensão e diferença entre as partes . Ao longo da narrativa, é evidente a qualidade estética da produção, com uma fotografia de destaque e interessantes cortes de cena, importantes para a tentativa de continuidade da história, além de comprovar que a produção não é B side, ou seja, produção com pouco orçamento. No entanto, precisamos falar sobre os grandes aspectos negativos de Tidelands.

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Não há dúvidas de que a Netflix pecou bastante ao produzir esta série original. Primeiro, cabe falar dos atores escalados. Apesar da atuação de Marco Pigossi (Dylan) ter sido uma das melhores, não houve nenhuma construção de personagem que, de fato, cativasse o espectador. Seria de se esperar que pelo menos a protagonista, Cal McTeer, incitasse o mínimo de empatia, mas a sua atuação foi uma das menos expressivas durante toda a narrativa, mantendo constantemente a mesma expressão facial em quase todas as cenas da série.

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A falta de empatia e profundidade emocional dos personagens afasta-os ainda mais dos espectadores, que conseguem observar situações de sentimentos profundos como o amor serem tratadas mecanicamente. O maior defeito, no entanto, consegue se destacar ainda mais.

Sem dúvida, o maior erro da trama é a própria trama. Embora a premissa mística que mistura sereias, assassinatos e comércio ilegal seja incitante, os criadores certamente não souberam executar devidamente, produzindo uma narrativa muito confusa e superficial.

Durante os quatro primeiros episódios, acontecimentos relevantes são lidados com banalidade, superficialidade e, principalmente, com atuações que deixam muito a desejar e, dessa forma, plots que poderiam ter sido melhor desenvolvidos, como o reencontro entre Cal e sua família, são rapidamente resolvidos e possuem pouquíssima exposição emocional. Além disso, as histórias se passavam em cronologias confusas, expondo uma quantidade considerável de informações sem, contudo, explicar nenhuma delas a fundo.

TIDELANDS – Divulgação Netflix

Os quatro últimos episódios, todavia, exploram de forma mais acelerada a trama, eclodindo os grandes conflitos que foram minimamente fomentados ao longo da história. As expectativas para a parte final foram criadas, mas não foram atingidas. Cenas muito marcantes acontecem e, novamente, os atores pecam a interpretação do momento e na expressividade, ainda aparentando estar da mesma forma que no resto dos episódios.

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Além disso, as respostas que seriam necessárias para uma melhor compreensão da trama não são reveladas. Pelo contrário, a narrativa apenas levanta mais questões. Nesse instante, se torna já bastante complicado acompanhar a série devidamente, mas ainda contamos com um final triunfante. Novamente, os produtores trazem decepção. O season finale traz um final muito aberto, pouquíssimas explicações e um número irresponsável de mortos.

Tidelands procura englobar várias tramas que poderiam ter sido melhor exploradas em uma extensão maior em apenas uma temporada com 8 episódios. Fica evidente que os produtores têm boas e grandes pretensões com a série, mas pecaram na velocidade de acontecimentos, superficialidade dos personagens e atuações medianas.

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A Netflix novamente desaponta seus usuários com uma produção possivelmente de alto custo mas que, evidentemente, poderia ter sido melhor elaborada. Agora resta acompanhar para ver se haverá renovação para uma segunda temporada. Será que a Netflix tem uma carta a manga para salvar a trama?

Eu tracei meus comentários sobre Tidelands, mas e vocês, o que acharam? Escrevam aqui nos comentários suas impressões sobre a nova série original Netflix que já divide o público!

© Tidelands – Netflix Inc. – Todos os direitos reservados.