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CONTÉM SPOILERS: Porque Círculo de Fogo – a Revolta é tão ruim?

Porque Círculo de Fogo a Revolta é uma das piores continuações de todos os tempos segundo o Cinefans.
5/5
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Mais uma continuação que nÃO chega perto do original

Círculo de Fogo veio com tudo em 2013. Pipocaço assumido, cheio de elementos que o povo gosta! Robôs gigantes, monstros feios, discursos bregas inflamados,personagens carismáticos e destruição do mundo temperado a Guillermo del Toro, que ama monstros. Não tinha como dar errado. Não deu. A continuação era inevitável.

Del Toro, sei lá porque xongas, ficou na produção. Até aí tudo bem. Os melhores Star Wars tinham George Lucas na produção. A expectativa era que Del Toro ficasse nos bastidores, cuidando do universo que criou, dando a um outro diretor o poder de expandir a visão.

Veja o filme no NOW

Ao ver o filme, tive minhas sérias dúvidas do grau de envolvimento de Guillermo no projeto. Se ele acreditou que repetir todos os elementos citados no primeiro parágrafo seriam o suficiente pra garantir um filmaço, errou feio. Errou rude.

Na verdade, Circulo de Fogo– A Revolta entrou para uma seleta, mas nem tanta, lista de como jamais uma continuação deve ser feita, por vários motivos.

O QUE DEU ERRADO….

Os pontos que mais me chamaram a atenção foram a falta de conexão espiritual com o filme original, algo que chamo de nostalgia sádica e a secundarização do conceito principal.

Os primeiros minutos do filme não são necessariamente ruins. Apresenta o universo 10 anos depois do fim da guerra dos Kaijus. Basicamente é um mundo em reconstrução e a criminalidade convive com algum nível de comércio clandestino de peças de Jaegers, já que eles se tornaram relativamente descartáveis. Simples, mas funcional. Detalhe que o ponto interessante do comércio de pedaços de Kaiju do primeiro filme, aqui, foi deixado de lado.

Transformers VI. Não, pera! É Círculo de Fogo - a Revolta
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SOBROU NO PRIMEIRO MAS FALTOU NO SEGUNDO

A falta de conexão espiritual com o filme original começa na apresentação dos personagens.

Jake, interpretado por John Boyega, é o filho de Stacker Pentecost, o herói vivido por Idris Elba. Nada foi dito sobre Jake existir no primeiro filme, mas isso em si nem é o problema, pois o próprio filme poderia cuidar desse buraco. O fato dele viver desse comércio clandestino de peças de Jaeger torna a coisa potencialmente interessante por gerar muitas perguntas, mas fica apenas no potencial.

divulgação Universal Pictures

Em uma negociata que deu muito errado, ele conhece a menina Amara, interpretada pela carismática novata Caille Spaeny. Basicamente ela também roubava peças mas, no lugar de vender, gastava seu tempo construindo seu próprio Jaeger, o que é duplamente ilegal. Seu Jaeger de estimação é uma versão gorda e bizarra do Bumblebee. Ok, a menina é um gênio! E esquecemos disso até o resto do filme.

Obviamente, Jake e Amara são presos.E aqui o filme acaba. Mako oferece uma saída para Jake e Amara,oferecendo um emprego de professor de pilotos de Jaeger para o irmão e a opção de Amara virar uma recruta, ou seja, uma aluna de Jake. A partir daqui o filme começa a ficar QUASE idêntico ao primeiro, e a coisa começa a piorar exponencialmente.

A potencial química de Jake com Amara é logo esquecida. O foco fica na rivalidade entre Jake e Lambert, interpretado por Scott Eastwood, que antes do meio do filme também é colocada de lado “por um bem maior”. No caso, dois pilotos que já foram parceiros de Jaeger não podem brigar. Faz sentido dentro da proposta do primeiro filme, mas isso também é colocado lá no quinto plano.

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Mas que bem maior é esse? Existe uma paranóia dentro deste universo sobre os Kaijus voltarem, mas o programa de pilotos Jaeger está para ser substituído por um sistema de controle autômato, ou seja, robôs gigantes pilotados por controle remoto. Qual o sentido de treinar pilotos nesse quadro? Pendurar o diploma na parede?

Pode ficar pior? Pode! O drone Jaeger que se apresenta no evento de apresentação decide atacar os velhos. Aí a desconexão espiritual se completa. Não estou vendo mais Círculo de Fogo, mas um genérico de Transformers!

INDO DE MAL A PIOR

Aí, somado à desconexão, começa a nostalgia sádica.

Mako, que até aqui era a única conexão real com o filme original, morre nesse incidente. Daí a deixa para juntar a dupla mais carismática do filme original e alívio cômico da franquia, os Doutores Newman e Hermann.

Em A Revolta, Hermann (Burn Gorman) e Newman (Charlie Day) não trabalham mais juntos. Hermann, acreditando na possibilidade do retorno dos Kaijus, continuou no programa Jaeger e Newman ajudou a criar o programa dos Jaegers drones por outra empresa. Juntam-se novamente para resolver a questão do Jaeger drone assassino. Mas sabe aquela química do primeiro filme? Aqui não só é inexistente como foi literalmente subvertida.

Ambos ainda tem algum nível de conexão mental com os invasores, aqui agora chamados de Precursores, e isso explica um pouco da paranóia. Porém, Newman mantém um cérebro de Kaiju que ele faz questão de chamar de “esposa”. Não demoramos muito a descobrir que Newman é controlado por eles e os drones Jaeger tinham cérebros vivos de Kaiju os controlando. Ou seja, os próprios Jaegers novos eram os decepcticons! Desculpem, errei de filme. Quis dizer Kaijus.

E é neste ponto que o desastre se completa e a secundarização do tema principal se explicita.

O lance de Circulo de Fogo era, da forma mais simples possível, monstros contra robôs, não robôs contra robôs. Obviamente o intuito dos precursores era usar os robôs pra abrir uma fenda para que a invasão reiniciasse.Temos o dislumbre de metade de um Kaiju antes que a fenda se fechasse novamente.

NOSSA OPINIÃO FOI…

Resumidamente: o filme traz personagens originais APENAS para morrer ou trair. Os personagens novos tinham potencial, mas a química entre eles foi completamente colocada de escanteio, sem contar o desenvolvimento inexistente. E por fim, nada de robôs contra monstros, apenas robôs que conseguem, mesmo os controlados por humanos, fazer mais estragos gratuitos que os vilões.

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