PUBLICIDADE

O que eu achei de Mulan 2020

Embora esta leitura de Mulan tenha um início fraco e antagonismo mais ou menos, no fim minha experiência foi positiva.
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on whatsapp
Share on email

Começarei este texto pedindo licença, pois apesar de reconhecer que uma das regras básicas da crítica cinematográfica seja manter-se objetivo e evitar a primeira pessoa, aqui isso simplesmente não me será possível. Mulan, a animação lançada pela Disney em 1998 é facilmente o meu filme favorito do estúdio. Eu o revejo pelo menos duas vezes por ano, e para mim cada vez fica melhor e eu noto mais subtextos geniais. Apesar de ser completamente apegada à animação, saber de cor todas as falas, eu recebi as notícias da nova adaptação de braços abertos. Enquanto muitos se escandalizarem por não ter Mushu ou não ser musical, isso me deixou mais receptiva, pois eu não queria ver quadro a quadro do filme antigo, como foi o remake do Rei Leão, tampouco acho que filme precisava “consertar” detalhes desinteressantes, como fizeram na Bela e a Fera.

+assista o desenho clássico no NOW

O que era importante ter? Bom, a história de Mulan. A história da menina de um vilarejo chinês no auge da Era Imperial, que sente a pressão em trazer honra para sua família da única forma que as mulheres podiam fazer: através do casamento. A história da menina que tem seu pai debilitado convocado para a guerra e para salvá-lo disfarça-se de homem e toma seu lugar arriscando a própria vida na linha de frente da batalha, excede seus colegas homens e simplesmente salva o Império.

divulgação / Disney

E sim, essa história está na adaptação de 2020. Nota-se a inspiração do material fonte, sem nunca parecer uma cópia, trazendo interessantes mudanças. O filme tem sim um tom mais sério que o original, e parece se comprometer mais com o gênero wuxia (gênero cinematográfico chinês que combina artes maciais e fantasia). Assim, temos os melhores momentos do longa durante o treinamento e nas cenas de luta que lembram muito o Tigre e o Dragão. Eu gostei da atuação da Li Yifei uma vez que ela traz a solidão e o peso do segredo que a protagonista carrega, e a presença dos grandes nomes do cinema de ação chinês, Donnie Yen (Comandante Tung) e Jet Li (Imperador), apesar de reduzidas, são bem vindas e causam seu impacto.

+Nova versão do clássico Rei Leão tem visual deslumbrante mas falta coração à história.

Ainda quanto às qualidades, a mudança nos companheiros de treinamento não foi algo que incomodou; eles servem seu propósito de aliviar a tensão da tela ao mesmo tempo em que ajudam a elevar o caráter da protagonista. O desaparecimento do personagem do general Shang e a criação do soldado Honghui como novo interesse amoroso também foi uma mudança que me agradou uma vez que não temos o artificio do Mushu para conversar com a Mulan e a humanizar dentro da guerra, além de ser um “romance” mais bem construído por ter mais interações.
Apesar de ter suas qualidades – pois além de mudanças positivas, um design de produção rico e uma boa direção de câmera (como disse, as cenas de ação são as melhores incluindo momentos em que a diretora vira a câmera 180 ou 360 graus acompanhando a coreografia o que dá dinamismo à cena) – é impossível ignorar certos defeitos. O começo do filme foi muito difícil de assistir porque apresenta diálogos forçados e mal escritos, além de uma montagem extremamente bagunçada. Além disso, tem momentos de exposição (quando um personagem explica ao invés de mostrar), muito gritantes e desnecessários, o que enfraquece a experiência.

divulgação / Disney

Muita força também é perdida nos momentos em que a câmera está nos antagonistas. Eu não odeio a proposta dos novos vilões, mas a sensação que fica é que o novo exército inimigo podia ter muito menos tempo de tela, porque quanto mais eles abusam da sua estada, mais ficam idiotas e a sensação de ameaça diminui. E em contrapartida, a feiticeira podia ter um desenvolvimento e motivação trabalhados de uma forma menos superficial.

+Premissa criativa de Projeto Power não se salva de roteiro previsível e recheado de clichês.

Embora esta leitura de Mulan tenha um início fraco e antagonismo mais ou menos, no fim minha experiência foi positiva. A bagunça do começo se dilui a partir do momento chegamos no treinamento, e o desfecho foi tão bonito que me levou às lágrimas. No fim do dia, eu só espero que esta história tenha impacto em toda uma nova geração de meninas que assim como eu, encontrarem em Hua Mulan sua força e inspiração.