PUBLICIDADE

"O Escândalo" - Paris Filmes

Crítica | O Escândalo – Tchau, Roger Ailes!

Filme usa caso real para mostrar a dificuldade de relatar o assédio de um homem poderoso na imprensa americana.
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email

compre aqui seu ingresso

O ano mal começou, e os cinéfilos já podem ficar espertos para acompanhar de perto uma grande polêmica. O filme “O Escândalo” (2020), dirigido por Jay Roach, apresenta ao público uma trama baseada em fatos reais e ambientada em um momento recente na memória do público: a corrida presidencial do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mas, diferente do que se espera, Trump não é o centro das polêmicas exploradas, e sim um de seus grandes apoiadores, Roger Ailes.

+ouça aqui nosso podcast do Globo de Ouro

“O Escândalo” expõe a queda do gigante do telejornalismo e antigo CEO da Fox News, emissora que abertamente apoia os ideais republicanos, Roger Ailes (John Lithgow). O longa apresenta desde como o caso se desenvolveu, até a queda do gigante. A história é contada a partir do ponto de vista de três repórteres da emissora que sofreram abusos sexuais: Gretchen Carlson (Nicole Kidman), a mulher que encabeçou o processo contra Ailes; Megyn Kelly (Charlize Theron), a mulher que foi assediada no começo da carreira, mas prefere proteger o chefe; e Kayla Pospisil (Margot Robbie), a mulher que, para começar a carreira na televisão, acabou permitindo abusos por parte de Ailes.

“O Escândalo” – PARIS FILMES

A história, contada a partir do ponto de vista das três personagens, relata, principalmente, as dificuldades de expor um caso de assédio sexual, ainda mais quando o homem em questão é bancado por uma das maiores emissoras dos Estados Unidos. No caso de Megyn, aponta as dificuldades de contrariar um chefe que, apesar das atrocidades cometidas, conseguiu permitir que ela se projetasse no mundo televisivo. Para Gretchen, a dificuldade de processar um dos homens mais poderosos do jornalismo sem conseguir relatos suficientes de outras mulheres que passaram pela mesma situação. No caso de Kayla, a dificuldade de passar pelo assédio e não sentir que tem voz ou algum confidente para ajudar a expor o agressor, principalmente quando ele é CEO da empresa.

+aqui: Consagrado diretor aposta em elenco jovem para suavizar o roteiro denso.

O filme “O Escândalo” apresenta com veracidade os entraves para expor um grande caso de assédio como o de Ailes, e apresenta a dificuldade das vítimas de se sentirem confortáveis de delatar algo que compromete o emocional e o profissional das jovens. Acima de tudo, a atuação de Theron, Robbie e Kidman mostram a complexidade da denúncia, a diminuição da voz das mulheres sobre o assunto, mesmo pelas próprias mulheres, e a dúvida que passa por suas cabeças: eu devo denunciar o homem que me colocou nesta posição de poder?

“O Escândalo” – PARIS FILMES

Realmente, a pegada documental reforça a importância do tema a partir dos atos da história, e as atrizes não desapontaram em nenhum momento. Em todas as três atuações, é possível sentir o medo, a apreensão, o cuidado com a fala, a dificuldade da denúncia e, por fim, a importância de mulheres se apoiarem em um momento tão difícil.

+também: Drama de época francês mostra a delicadeza da relação entre artista e musa.

A fotografia do filme permite que nós, espectadores, realmente consigamos imergir na história, nos colocarmos ao lado dessas mulheres. A mostra do real, aproximando-se do que, de fato, é a vida e o cenário de um telejornal, reforça o caráter documental procurado em um filme baseado em fatos reais. Além disso, um toque interessante é a narração em primeira pessoa em determinados momentos, essencial para explicitar a individualidade dos relatos de cada uma das três repórteres. A quebra da quarta parede em certos momentos, com a personagem da Charlize apresentando para o espectador a Fox News, permite, mais uma vez, a imersão neste mundo, uma ambientação para ajudar a nos sentirmos parte da história.

“O Escândalo” – PARIS FILMES

De fato, no roteiro, não há tanto brilho e destaques triunfantes para aumentar os altos e baixos da narrativa, e sim uma linearidade até um pouco cansativa em determinados momentos. O espectador segue na vontade de grandes reviravoltas e, mesmo quando ela aparece, ao final do longa, não há uma comoção épica. Apesar de, ao fazer isso, garantir maior veracidade aos fatos, também pode gerar uma quebra de expectativa em quem acompanha o filme. Nesse sentido, os planos escolhidos pela câmera procuram dinamizar o roteiro levemente limitado, com movimentos que se assemelham a uma gravação documental e até um pouco amadora, com zooms dramáticos e tentativas de plano sequência sem estabilização da imagem.

Sem dúvida, um filme de extrema importância, principalmente levando em conta o momento em que ele se passa. Abordar temas como assédio sexual e masculinidade tóxica na cinematografia é um grande passo para facilitar cada vez mais o debate e a denúncia a esse tipo de atrocidade. Apesar disso, o roteiro e as atuações poderiam ter sido mais expressivas, sem apelar para dramaticidade desnecessária.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

PUBLICIDADE

AS 
ÚLTIMAS

Emmy 2020 | indicados

Netflix bate recorde de indicações seguido por HBO em ano que formato da premiação ainda é incerto.