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Mulheres no comando, direção rolando

Na nossa primeira matéria especial e exclusiva, mostramos a situação das mulheres no meio do audiovisual.
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Durante o Oscar, maior premiação mundial do cinema, os homens e as mulheres mais brilhantes do último ano subiram aos palcos para receberem reluzentes estatuetas e nos presentearem com belos e emocionantes discursos. Porém, aos olhares mais atentos, fica evidente que certas estrelas não foram convidadas para compor a constelação de indicados: as diretoras de cinema.

Com a popularização dos discursos em prol do respeito e da representatividade das mulheres na sociedade e no mercado de trabalho, cresce a visibilidade e o reconhecimento do trabalho de diretoras, roteiristas e produtoras. Apesar da grande repercussão de movimentos feministas da atualidade, o caminho a ser percorrido ainda é bem extenso.

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Segundo pesquisa encomendada pelo Center for the Study of Women in Television and Film em 2018, dos 250 filmes mais populares do ano, apenas 20 foram comandados por mulheres. Quando se trata de equipes de produção compostas por mais de dez mulheres, as estatísticas são mais alarmantes: apenas 1% dos filmes de 2018 foram produzidos por um grupo com considerável representatividade feminina. No Brasil, o cenário não é diferente.

Arte e Pesquisa / Julia Noia

Nosso cinema é marcado por gigantes e talentosas cineastas e produções de reconhecimento internacional. Diretoras como Laís Bodanzky, “Como Nossos Pais” (2017),  Anna Muylaert, “Que horas ela volta?” (2015) e Cris D’Amato, “Confissões de Adolescente” (2013), se aproximam dos espectadores com produções tocantes e catárticas, instigando o pensamento crítico. Todavia, a notoriedade dessas diretoras não são a regra para todas as mulheres do ramo.

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O protagonismo feminino nas direções do cinema brasileiro caminha a passos lentos. Segundo dados de Diversidade de Gênero e Raça em Longa-Metragens Brasileiros,  informe produzido pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) sobre os filmes lançados em 2016, menos de 20% dos longas foram dirigidos por mulheres.

A cineasta e assistente de direção Cris D’Amato reconhece a falta de representatividade mas acredita no aumento da parcela de mulheres na profissão. “Eu conheço diretoras muito boas e que fazem filmes maravilhosos. Claro que têm menos. Somos menores em número, mas estamos crescendo. Em todos os segmentos. Nós já existíamos, só que não habitávamos. Agora, habitamos”, conta.

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No mundo da sétima arte, assim como na sociedade como um todo, mulheres são alvo de comentários e atitudes machistas. Embora admita não ter passado por essas situações no ambiente de trabalho, Cris critica essa marca de uma sociedade paternalista. “O machismo talvez se faça presente num todo. Eu não sei se é no cinema ou na vida, desassociar isso é bem difícil”.

Arte e Pesquisa / Julia Noia

Com a poderosa repercussão de movimentos sociais, não foi apenas a falta de representatividade feminina que foi abertamente questionada. A representatividade da mulher negra e do seu espaço na sociedade também é conquistado por meio de bastante luta. Nesse sentido, Cris ressalta a importância da visibilidade de diretoras negras. “Eu sou uma mulher branca e me dei bem no ramo. Mas e a mulher negra? Eu não conheço nenhuma diretora negra, de verdade. Eu gostaria de conhecer e trabalhar com ela”, reforça.

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A representatividade desigual do cinema brasileiro reflete as desigualdades raciais e de gênero ainda presentes na sociedade. Entretanto, as perspectivas de Cris D’Amato para o futuro das mulheres na sétima arte é bem otimista. A diretora acredita que, em cinco anos, haverá mais mulheres que homens no mercado cinematográfico nacional, mas ressalta que elas não querem ultrapassar os homens no ramo. “Só queremos ocupar nosso espaço. Não é só porque somos mulheres, e sim porque também somos inteligentes e capacitadas”.

Arte e Pesquisa / Julia Noia

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No horizonte, é possível avistar um futuro próspero para as diretoras brasileiras. Um cinema nacional no qual as mulheres por trás das câmeras recebam devida visibilidade e reconhecimento por seu trabalho. Um cinema nacional que preze pela representatividade de gênero e raça em suas produções. Um cinema nacional que procure quebrar padrões enferrujados e datados. Na luta das mulheres, Cris propõe mudança por meio da reflexão. “Nós mulheres temos que optar pelas mulheres. Uma tem que ajudar a outra, e nós só vamos mudar nossa situação se nos ajudarmos. O que nós podemos fazer para modificar esse panorama?”.