Mithril

Uma das estreias da semana, a cinebiografia de J.R.R Tolkien, o criador de Senhor dos Anéis, será que o filme é bom, confira a nossa review aqui feita pelo Bernardo.
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email
Tempo de leitura: 5 minutos

compre aqui seu ingresso para assistir “Tolkien” nos cinemas

Mithril significa, literalmente, “cinza brilhante” em tradução livre de Sindarin, uma das várias línguas fictícias criadas por John Ronald Reuel Tolkien, renomado escritor, poeta, professor e filologista britânico; autor de O Hobbit, O Senhor dos Anéis, O Silmarillion e diversos outros contos de fantasia que ecoam através das décadas em forma de livros, filmes, séries de televisão, jogos eletrônicos e muito mais. Mithril é o material de que é feito a clássica camisa de Bilbo (Iam Holm/Martin Freeman) e Frodo Bolseiro (Elijah Wood) tanto nos livros quanto nos filmes baseados nas obras de Tolkien. Graças à “prata dos anões”, a camisa é tão valiosa quanto é resistente, o que protege os personagens em mais de uma ocasião ao longo de suas aventuras.

MAIS AQUI: Para quem foi criança e adolescente nos anos 90 chegou nos cinemas com muita Nostalgia e Emoção!!! Aqui nossa opinião sobre Pokémon, o Detetive Pikachu.

Se a juventude de Tolkien tivesse que ser reduzida em duas palavras, elas seriam: perda e busca. Desde as tragédias familiares até os castigos da guerra, o jovem John Ronald se viu confrontado com grandes desafios e perdas. No entanto, a persistência de Tolkien jamais o deixou se intimidar pelo tamanho das provações pelas quais passou em sua vida. Um artefato protetor mágico bem que teria vindo a calhar, mas naquele momento o lugar de sua fantasia era em sua mente. Levaria anos para que as lendas da Terra-Média alcançassem o papel e ao público. Quando teve que partir em suas buscas, era apenas o seu coração valente que carregava consigo, fosse ele feito de mithril ou não.

J. R. R. Tolkien (Nicholas Hoult) “Tolkien” – Fox Searchlight Pictures; Chernin Enterteinment/Walt Disney Studios Motion Pictures

A cinebiografia de Tolkien nos apresenta as suas perdas e buscas da infância e juventude. E, como no final de tudo, a sua imaginação abriu caminho entre os cantos mais sombrios da sua vida para dar a luz a todo um universo fantástico essencial a todo um gênero literário. Nicholas Hoult (X-Men: Apocalipse) dá vida ao personagem principal da trama com uma atuação sem brilho ou sombra. O ator não é particularmente culpado, pois apesar de todo o misticismo por trás do homem, J. R. R. Tolkien é mais conhecido por suas obras do que pela sua personalidade. A sua atuação foi discreta, mas adequada, sendo insensato esperar algo próximo de Eddie Redmayne em A Teoria de Tudo (2014). Harry Gilby faz um bom trabalho interpretando o Tolkien enquanto criança. Lily Collins (Simplesmente Acontece) interpreta a futura esposa de Tolkien, Edith Bratt. A personagem tem pouco tempo a seu dispor no filme, com o mínimo de desenvolvimento, mas alcança o seu principal objetivo no enredo: demonstrar ser o único e verdadeiro amor da vida de Tolkien. Collins tem uma atuação tal como a de Hoult, mas demonstra consideravelmente maior personalidade e charme em seu papel do que o protagonista. Mimi Keene (Sex Education) interpreta bem a versão infantil da personagem.

VEJA TAMBÉM: Se de repente todos os adultos sumissem e as crianças e adolescentes mandassem na sociedade, como se organizar? Assim é The Society, nossa série do Netflix.

Edith Bratt (Lily Collins) “Tolkien” – Fox Searchlight Pictures; Chernin Enterteinment/Walt Disney Studios Motion Pictures

A trama se desenvolve devagar e foca mais na relação entre Tolkien e o seu criativo grupo de amigos: Geoffrey Bache Smith (Adam Bregman/Anthony Boyle), Robert Q. Gilson (Albie Marber/Patrick Gibson) e Christopher Wiseman (Ty Tennant/Tom Glynn-Carney). Os quatro amigos formam uma sociedade secreta para expressarem as suas paixões artísticas em segredo e criam um forte vinculo duradouro. Por outro lado, o fascínio e talento de Tolkien por línguas e filologia entram em cena consideravelmente tarde no filme e tem pouco espaço para desenvolvimento. Entretanto, as experiências de Tolkien durante a Batalha do Somme nas trincheiras britânicas na França durante a 1ª Guerra Mundial tem considerável destaque, como um dos diversos momentos que inspiraram diversos aspectos das obras do autor.

“Tolkien” – Fox Searchlight Pictures; Chernin Enterteinment/Walt Disney Studios Motion Pictures

O ponto alto do filme são os leves vislumbres dos cenários e acontecimento que afloraram a imaginação de Tolkien. Os efeitos visuais são adequados e adicionam magia e esplendor à história. A ambientação e os figurinos fazem justiça ao clima e ao período do filme.

Contudo, nem tudo é magia. Muitos acontecimentos são distorcidos e/ou inventados para fazer com que a trama siga de maneira mais dinâmica e dramática. Além disso, de acordo com Deseret News Entertainment, a Tolkien Estate, órgão legal que administra o legado do autor, não foi consultado em momento algum, e nem mesmo o família de Tolkien, que através do Estate, declarou que não apoia o filme. Ainda de acordo com o canal, o diretor do filme, Dome Karukoski, declarou que escolheu agir dessa forma para evitar conflitos criativos com o filme, e que a produção pudesse existir por si só. Dessa forma, um clima acompanha a chegada deste filme às salas de cinema.

OUÇA TAMBÉM: Papo Cinefans da semana debateu o futuro da TV no Brasil e se o GloboPlay pode ser a aposta do futuro da TV Globo. Bem interessante o tema, confira aqui.

Portanto, a cinebiografia de Tolkien realizou um trabalho questionável na sua produção, mas o resultado não deixa de ser adequado, apesar de tudo. O lendário autor finalmente ganha um destaque maior por si só na telona ao invés dos seus personagens. É a jornada de um homem tão persistente quanto criativo em um período sombrio e cheio de incertezas, quase como que saído verdadeiramente de um livro.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: