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Minari: uma história de ternura e resiliência

Filme concorre em 6 indicações no Oscar e tem boas chances de vencer como melhor filme.
5/5


Ganhador do prêmio de melhor filme em língua estrangeira no Golden Globes 2021, Minari, dirigido por Lee Isaac Chung, é um dos grandes destaques desta temporada de premiações e um dos favoritos para o Oscar.

O filme conta a história – semiautobiográfica – de uma família coreana que imigrou para os Estados Unidos em busca do sonho americano. O pai, Jacob Yi (Steve Yeun) e sua esposa, Monica Yi (Han Yeri), se mudaram para a Califórnia no começo dos anos 70. Depois de uma década sem sucesso, Jabob decide mudar a família para um trailer na zona rural de Arkansas, com o propósito de plantar e comercializar vegetais coreanos.

confira os bastidores e curiosidades sobre os filmes indicados ao Oscar 2021 no site oficial da premiação.

Steve Yeun – Minari – A24 Films

Minari é o nome de uma planta comestível coreana, nativa do leste da Ásia. O que torna esse vegetal peculiar é o fato dele crescer em abundância em vários tipos de solo, sem precisar de grandes cuidados. A escolha deste título alude à resiliência dos personagens retratados, que espelha a realidade da jornada de muitos imigrantes.

Assistir Minari é uma experiência terna e reconfortante, tão necessária diante das dificuldades dos últimos tempos. A direção de Chung, junto com a cinematografia de Lanchlan Milne e a trilha sonora de Emile Mosseri, cria uma atmosfera nostálgica familiar, daquelas que nascem das memórias falhas da infância e nos levam para o alto. Em contrapartida, a dureza da realidade retratada coloca os pés do telespectador no chão e deixa um gosto agridoce na boca.

+Mais um filme favorito do Oscar com a nossa crítica, confira aqui Nomadland.

Alan Kim e Noel Kate Cho – Minari – A24 Films

Minari pinta o retrato de uma família que luta para viver com dignidade em um lugar que carrega inúmeros preconceitos. Cada integrante da família traz as suas cores distintas para a composição do quadro: a mãe e sua busca por comunidade e estabilidade para seus filhos; O pai, estoico e calculista, ao mesmo tempo que terno nos seus gestos; A filha pré-adolescente (Noel Kate Cho), de personalidade mediadora e ponderada; o filho (Alan Kim) de sete anos, que sofre de um problema cardíaco, mas ainda é cheio da vitalidade e honestidade da infância; e a avó materna (Youn Yuh-jung), uma matriarca excêntrica recém chegada da Coréia.

O elenco carrega a narrativa com força e naturalidade. A relação interpessoal entre os integrantes da família é o grande destaque do filme. Seja os conflitos e trocas de carinho sutis entre Jacob e Mônica; a fraternidade entre os irmãos; o cuidado materno e a proteção paterna; ou a gradual aproximação entre avó e neto; tudo é retratado com a sutileza e complexidade das relações humanas.

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Steve Yeun e Alan Kim – Minari – A24 Films

Gigante na sua quietude, Minari é muito mais do que apenas mais uma história das falsas promessas do sonho Americano ou da narrativa imigrante. Ele representa a força do coletivo, a importância da família e a beleza das felicidades mundanas. É sobre indivíduos se descobrindo e (re)descobrindo as pessoas a sua volta. Parafraseando o diretor, Minari transcende o inglês e o coreano usados no filme e se comunica através da linguaguem do amor, universal e entendida por todos.

Pequenos Avanços

Minari já é um dos destaques da premiação do Oscar 2021, sendo nomeado em 6 categorias: Melhor Diretor (Lee Isaac Chung), Melhor Ator (Steve Yeun), Melhor Atriz Coadjuvante (Yuh-Jung Youn), Melhor Roteiro Original (Lee Isaac Chung) e Melhor Trilha Sonora (Emile Mosseri).

Steve Yeun é pioneiro na premiação, sendo o primeiro ator americano descendente de asiáticos a ser nomeado na categoria. o ator Riz Ahmed (O som do silêncio) é outro destaque na categoria como o primeiro mulçumano a ser indicado.

Ainda sobre a expansão cultural desta edição, é a primeira vez, em mais de 90 anos de premiação, que mais de uma mulher é indicada na categoria de melhor direção, sendo elas Emeral Fennell (Bela Vingança) e Chloé Zhao (Nomadland). Zhao também é a primeira mulher de uma minoria ética a ser indicada.

A 93ª cerimônia do Oscar ocorre no próximo dia 25 de abril.