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Meu Pai: a velhice e o confronto com a mortalidade

Obra estreia nesta quinta (8) nos cinemas brasileiros e recebe 6 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme
5/5
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Estrelado por Anthony Hopkins (Anthony) e Olivia Colman (Anne), “Meu pai” é o primeiro filme do diretor Florian Zeller, baseado na peça de sua autoria sobre um homem de 81 anos que começa a sofrer de demência.

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Meu pai recebeu 6 indicações ao Oscar 2021: Melhor Filme, Melhor Ator (Anthony Hopkins), Melhor Atriz Coadjuvante (Olivia Colman), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Direção de Arte e Melhor Montagem. O filme estreia nesta quinta-feira, 8 de abril, nos cinemas brasileiros.

Anthony Hopkins – “Meu Pai” – California Filmes

Com um atmosfera de ansiedade tal como um filme de Terror ou Thriller, Meu pai retrata um dos maiores medos do ser humano: a velhice. Ela assusta porque é a materialização direta da nossa mortalidade e fragilidade. A velhice é inevitável e é percebida aos poucos, primeiro pelos outros, depois por nós.

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O filme não perde tempo e retrata os fatos com uma honestidade crua. Florian Zeller nos coloca na perspectiva de Anthony para que experimentemos em primeira mão a sua deterioração mental. Zeller também mostra a angustiosa tarefa de cuidar de alguém nesta situação através da personagem Anne, brilhantemente interpretada por Olivia Colman.

Anthony Hopkins e Olivia Colman – “Meu Pai”- California Filmes

O diretor utiliza ferramentas como a narrativa não linear e cíclica e um narrador não confiável para ilustrar a desorientação que vem com a perda da memória. Figurinos, objetos, espaços e pessoas se repetem e confundem-se, como um labirinto sem sentido.

Essas técnicas trazem uma nova camada à história, que torna-se imprevisível e mantém o telespectador engajado do início ao fim. O filme não tem medo de nos enganar e faz isso com maestria.

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A complexidade do roteiro é destacada pelas atuações memoráveis de todo o elenco, em especial de Colman e Hopkins. Observar Hopkins em cena é ver não apenas uma ator experiente, mas também um profissional apaixonado pelo seu ofício que continua a se provar como um dos maiores atores dos últimos tempos.

Cada gesto e olhar é captado com uma lente empática, trazendo a tona a complexidade dos personagens. Em meio as nuances, os grandes momentos dramáticos se tornam ainda mais pesados pela verdade que carregam.

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No meio de grandes narrativas como Os 7 de Chicago, Mank e Judas e o messias negro, Meu pai não fica para trás ao trazer uma história atemporal e sempre relevante, ainda mais em tempos de pandemia, onde nossa mortalidade fica ainda mais evidente.

Talvez o verdadeiro terror da velhice não seja a morte, mas sim a perda de si e do outro. Ao fim, o filme não deixa muito espaço para otimismo, mas deixa reflexões necessárias sobre a velhice e como lidamos com ela.