Crítica | Maria e João: O Conto das Bruxas

Agora com roupagem mais sombria, clássico conto tenta energizar história bem conhecida.
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O terror de um conto antigo retorna às telas com uma nova roupagem, ainda mais sombria. Quem cresceu acompanhando a história de João e Maria para crianças, um belo conto para dormir contado pelos pais, vai se surpreender com “Maria e João: O Conto das Bruxas”. A adaptação transforma as conhecidas migalhas em sinistros rastros de brinquedos, com outra fábula por trás. Para essa história, deixem as crianças de lado.

+Filme usa caso real para mostrar a dificuldade de relatar o assédio de um homem poderoso na imprensa americana.

O longa de Oz Perkins, diretor de “O Último Capítulo” (2016) e “February” (2015), também de terror, relembra as raízes do conto dos irmãos Grimm. Sinistra por natureza, a história de João e Maria está longe de ter um final feliz, e o diretor faz questão de mostrar nos tons mais profundos o medo e a coragem dos irmãos do conto. Para os desavisados, os irmãos Grimm contam a história de dois irmãos que, por falta de comida e recursos dentro de casa, recorrem à floresta para se salvarem e, no meio do caminho, encontram a casa de uma bruxa, que os encanta com comida sem fim, calor e aconchego, mas com péssimas intenções por trás.

“Maria e João: O Conto das Bruxas” – IMAGEM FILMES

Perkins investiu em um terror psicológico que foge do já esperado para o gênero, com os conhecidos e repetitivos jump scares, comuns em blockbusters como as sagas “Pânico” e “Premonição”. Com a nova roupagem, o diretor abusa da atmosfera sinistra de uma vila pequena durante o que aparenta ser a Idade Moderna. A assustadora e por vezes melancólica fotografia do filme, focada em tons frios e escuros, além da iluminação pálida e fria, lembram a ideia passada do aclamado “A Bruxa” (2015), e conseguem passar a sensação de tensão constante, típica do gênero.

A palidez de Maria (Sophia Lillis) e João (Sammy Leakey) contrastam com a fartura e variedade de cores encontradas no grande banquete da bruxa (Alice Krige) mas, mesmo com o colorido, respeitam tonalidades macabras, parecidas mesmo com as adotadas por Tim Burton em seus filmes. Entretanto, a fotografia realmente bonita e imersiva para o gênero não compensam as atuações medianas e, por vezes, pouco convincentes, também típicas de filmes de terror.

+Tentativa de terror espacial no fundo do mar tem suas vitórias mas fica devendo.

Dos três atores principais do longa, Lillis consegue maior destaque, mas ainda faltam expressões faciais mais reais. De resto, Krige não apresenta nenhuma atuação brilhante, mas respeita a simplicidade da personagem, mas a atuação de Leakey é realmente dispensável, e transforma João em uma criança chata e majoritariamente inexpressiva.

Atuações à parte, foi adicionado um novo aspecto interessante na narrativa: criar um laço entre protagonista e antagonista. A ideia de explicar as motivações da bruxa enriquece a narrativa e reitera o caráter cada vez mais sombrio da história e que, de alguma forma, a magia conecta a bruxa e Maria como uma irmandade, mas com um grande preço a pagar para conquistar seus poderes.

“Maria e João: O Conto das Bruxas” – IMAGEM FILMES

Realmente, a nova relação entre as duas é uma característica interessante para “atualizar” a narrativa, mas a origem da magia foi pouco aprofundada e pareceu que essa informação foi jogada para o espectador. Apesar disso, achei um toque intrigante e que mesmo testa a índole de Maria, que continuamente questiona sua própria moral mas que, no final, não consegue fugir de seu destino. Essa é a principal mudança que, diferente do conto original, não traz um pingo de esperança, e sim mostra as correntes do próprio destino.

Para os amantes de terror, vale a pena garantir a poltrona certa para assistir no cinema e se aventurar na constante tensão da narrativa e acrescentar na bagagem um filme que, apesar de não ter nada de extraordinário, consegue entreter e fazer valer o valor do ingresso. Para aqueles que morrem de medo, como eu, não custa nada dar uma chance para acompanhar esse novo e interessante caminho para o conto de João e Maria.

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