Falta algo para esse Rei Leão!

Nova versão do clássico tem visual deslumbrante mas falta coração à história.
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Em 2015, quando encontrava a luz do dia a versão com atores de verdades do clássico Cinderela, a Disney testava o que viria na próxima década. Logo com o sucesso da adaptação live-action de Mogli: O Menino Lobo a empresa anunciaria quais seriam suas novas apostas. Entres essas estava o mais polêmico: o Rei Leão. Simplesmente o carro-chefe da Disney por tantos anos e um dos filmes mais icônicos da história. Em 2019, a nova versão chega aos cinemas. Será que valeu a revisita de tão grande filme ou foi apenas mais uma caça níqueis?

“O Rei Leão” – Disney

Caso você tenha vivido em uma caverna nos últimos 20 anos e não saiba do que se trata o Rei Leão, aqui vai uma revê sinopse: na savana africana, onde os leões reinam, nasce Simba, príncipe que estará destinado a um dia ocupar o trono do seu pai, Mufasa. No entanto, a inveja e a ganancia de Scar, irmão do rei, o levam a assassinar Mufasa e a convencer Simba de que nele estava a culpa, ocasionando a sua fuga e deixando Scar como regente.

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Como dito anteriormente, será que foi necessário refazer esse filme, uma vez que todos até conhece todos os spoilers? Em primeiro lugar, para sermos justos é necessário parabenizar o filme onde este foi mais impecável: os efeitos visuais. A decisão de refazer um filme que se passa 100% em um cenário com animais e mais ainda um cenário real, parece uma maneira de a Disney mostrar aonde chegou sua tecnologia de computação gráfica. Toda a paisagem, atenção nos detalhes, da água balanceada à orelhinha dos animais dando uma leve mexidinha demonstra uma incrível atenção nos detalhes e não causam nenhum efeito de estranheza. Quase parece que foram tomadas filmagens reais do Animal Planet.

“O Rei Leão” – Disney

Dentro da parte técnica também é notável toda a plasticidade sonora. As músicas clássicas estão lá, recebendo uma leve alteração e até brincando com a expetativa do telespectador que já é fã de os arranjos originais (por exemplo, sabe-se quais são as letras que virão mas eles dão pausas antes de continuar ou até cortam com brincadeirinhas “internas” entre os personagens e quem está assistindo). A trilha sonora instrumental também está incrível, acompanhando perfeitamente o fluir do sentimento da cena, incorporando ainda mais elementos da cultura africana. Destaque para a composição original Spirit, interpretada por Beyoncé, que é forte e completa e dá mais impacto a uma das cenas mais decisivas do longa.

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No entanto, o Rei Leão é o Rei Leão não apenas por ser uma história com animaizinhos e uma aventura e músicas legais. É um filme que carrega uma grande carga filosófica. Que tomasse tempo para trabalhar conceitos como morte, culpa, perdão próprio, aceitação e superação do passado. E neste ponto houve uma grande negligencia dos produtores desta nova versão. Parece que se preocuparam tanto com a plasticidade e esqueceram de dar tempo para os personagens sentirem seu drama. De receberem uma informação, sentirem o seu peso, cantarem uma música sobre, e só então tomarem uma decisão. O timing ficou muito atropelado, com decisões serem tomadas uma em cima da outra sem nenhum tempo de processamento.

“O Rei Leão” – Disney

Dessa forma, o drama ficou prejudicado. Tudo bem que é um filme com público alvo infantil, mas sempre foi uma maestria da Disney trazer produções com roteiros que impactassem desde os mais novos aos mais velhos, em diferentes maneiras. Momentos em que se deveria haver uma pausa e desenvolver o drama para aumentar o impacto da cena seguinte, são completamente resumidos a duas linhas de diálogo só para correr para uma cena de ação ou uma animadinha.

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Embora a dublagem americana esteja muito boa, com uma excelente escalação de elenco (sim, a Beyoncé está ótima), também o impacto da atuação de voz foi prejudicado pela superpreocupação com a parte técnica. Isso porque os animais ficaram realistas a um ponto de que não dá para sentir quaisquer emoções emanando deles, de modo que o que o ator entrega com a voz não condiz com que está sendo visto.

O live-action de Rei Leão não é nem de longe um filme ruim. É divertido e bonito, com cenas realmente engraçadas além de todo um visual de tirar o fôlego, principalmente quando se lembra que tudo foi feito digitalmente. No entanto, o remake de um filme tão icônico e tão importante não deveria ser nada menos do que excelente, e a falta de caso com o roteiro e a desatenção como drama das personagens impediram de que a perfeição fosse alcançada. Assim, o filme pareceu muito mais uma exposição de onde chegou a computação gráfica e esqueceu-se de dar coração em uma história que é toda coração.

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