Era uma vez Hollywood… No Tarantinoverso

Consagrado diretor inova para contar a história mas entrega um filme muito bom e empolgante.
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Tempo de leitura: 5 minutos

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Quentin Tarantino. O mero nome do diretor remete a todo um universo cinematográfico compartilhado composto por suas produções. O Tarantinoverso já deixou mais do que uma simples marca no cinema, ele praticamente criou um subgênero próprio. O estilo brutal de violência, os diálogos desenvolvidos, as histórias não-lineares e/ou com saltos temporais e as realidades alternativas são apenas alguns dos aspectos mais chamativos de suas obras. Quando vamos ao cinema assistir um dos filmes dele, não vamos assistir um filme de ação, suspense, drama ou terror, nós vamos assistir um filme de Quentin Tarantino.

Contudo, a principal das marcas registradas de Quentin Tarantino se trata da capacidade genial do cineasta de empolgar o espectador com os seus filmes. Os seus filmes não perdem tempo para estabelecer os objetivos, motivações e riscos dos seus personagens, geralmente associados com ideias de vingança, morte e sobrevivência. A tensão é instantânea e duradoura. No entanto, nas suas obras, ele ainda consegue subverter as nossas expectativas e adicionar ou modificar todo o contexto de seus personagens em um piscar de olhos. Tarantino é cruel com os seus personagens, e consequentemente, com a audiência, e nós o amamos por isso.

Cliff Booth (Brad Pitt) e Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) “Once Upon a Time… In Hollywood” Columbia Pictures; Bona Film Group; Heyday Films; Visiona Romantica/Sony Pictures Releasing

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Era Uma Vez… Em Hollywood traz muitas das suas marcas registradas em menor escala do que o de costume, mas inova na principal delas: a empolgação. Ao contrário da maioria dos seus filmes, os perigos e objetivos dos personagens principais são mais subjetivos do que objetivos. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de meia-idade decadente preocupado com o futuro de sua carreira na indústria cinematográfica, e Cliff Booth (Brad Pitt) é o dublê de longa data de Rick Dalton que leva a vida um dia após o outro sem grandes preocupações com o futuro. A dupla não está sob ameaça de morte ou caçando alguém, eles apenas são dois caras tentando definir os seus próximos passos na vida. O conflito dos personagens é majoritariamente interno, não externo. A jornada de cada um se desenvolve devagar, mas são ricas em drama, comédia, suspense e… sim, momentos esporádicos de empolgação, mas, novamente, em um nível menor do que se está acostumado com Tarantino.

Sharon Tate (Margor Robbie) “Once Upon a Time… In Hollywood” Columbia Pictures; Bona Film Group; Heyday Films; Visiona Romantica/Sony Pictures Releasing

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A verdadeira empolgação do filme, ou talvez “apreensão” deva ser o termo a ser usado aqui, fica para o desenrolar da história do casal formado pelo diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha) e pela atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que se muda para a casa ao lado da de Rick Dalton. Caso a maioria dos jovens Cinefans não conheça a história, o casal realmente existiu, ou seja, eles não são personagens fictícios. Na década de 1960, um grupo de jovens membros de uma seita satânica liderada por Charles Manson invadiu a casa do casal e assassinou a atriz e seus amigos no meio da noite. O caso é traumático na História do Crime dos Estado Unidos. Quentin Tarantino demonstra não ter medo de polêmicas ao inseri-los como personagens em seu novo filme, que se passa às vésperas do crime. E se vocês pensam que a seita de Charles Manson não está no filme, estão completamente enganados. Dessa forma, a maior tensão do filme é com a passagem do tempo até o dia do crime, que deixa no ar uma sensação de tragédia iminente ao longo do filme.

“Once Upon a Time… In Hollywood” Columbia Pictures; Bona Film Group; Heyday Films; Visiona Romantica/Sony Pictures Releasing

No entanto, a história dos personagens de Leonardo DiCaprio e Brad Pitt é o verdadeiro fio condutor do filme, enquanto a trama Polanski-Tate serve mais como pano de fundo para o desenvolvimento do filme. Portanto, Quentin Tarantino inova ao priorizar um enredo focado no drama pessoal de dois homens em busca das poucas oportunidades que a vida lhes apresenta naquele momento, ao invés de buscar uma narrativa focada no confronto entre duas forças opostas.

“Once Upon a Time… In Hollywood” Columbia Pictures; Bona Film Group; Heyday Films; Visiona Romantica/Sony Pictures Releasing

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As atuações são impecáveis; Leonardo DiCaprio transpira talento e cai de cabeça no personagem, transmitindo todo o desespero de Rick Dalton; Brad Pitt convence muito bem como o despreocupado e confiante dublê de Rick Dalton, a comédia e a ação do personagem caem como uma luva. Infelizmente, Margot Robbie teve pouco o que fazer com a sua personagem, mas soube interpretar o espírito livre e sonhador de Sharon Tate da melhor maneira possível. Um destaque à parte foi a atuação de Margaret Qualley como Kitty Kat, uma das jovens membras da seita de Charles Manson, ela demonstrou muita desenvoltura e carisma ao interpretar a personagem, um talento para manter o olho bem aberto.

Kitty Kat (Margaret Qualley) “Once Upon a Time… In Hollywood” Columbia Pictures; Bona Film Group; Heyday Films; Visiona Romantica/Sony Pictures Releasing

A direção de Quentin Tarantino foi sensacional, assim como os demais aspectos técnicos como efeitos especiais, figurino, cenários e a espetacular trilha sonora. O roteiro foi bastante original e rico em conteúdo, mas acredito que esse filme não seja a verdadeira obra prima do diretor. Contudo, não se deve menosprezar o resulto magnífico que foi o filme.

Em suma, um filme muito bom e inovador para o famoso diretor. Uma excelente contribuição para o Tarantinoverso, mas não chega a ser a cereja do bolo. Vale a pena conferir e se deliciar com o talento do diretor, dos atores e da Hollywood da década de 1960.

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