Élite | O fim das intrigas ou um novo começo?

Personagens evoluem mas após repetir formato de temporadas anteriores, trama perde força.
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Prepare sua pipoca e um bom chocolate para maratonar a terceira temporada de uma das séries preferidas dos jovens na Netflix: Élite. Este novo ciclo do drama high school com gostosas pitadas de suspense, com apenas oito episódios, deu o que falar desde o dia 13 de março, estreia da temporada no streaming, mas nem sempre “enchemos a boca” com elogios impecáveis. De longe, esse terceiro ciclo foi o mais fraco da trama, com respostas mais óbvias e um final clichê.

Para os desavisados, a terceira temporada de “Élite” (2018 – atual) retoma a volta de Polo (Álvaro Rico) à Las Encinas e a busca por vingança de Samuel (Itzan Escamilla) e Guzmán (Miguel Bernardeau) continua. Nesta temporada, os produtores decidem fazer diferente e os nomes dos episódios correspondem ao ponto de vista dos personagens abordados, uma ideia interessante para deixar o mistério no ar para os espectadores. Os diretores também escolheram se aprofundar mais em personagens como Lucrecia (Danna Paola), Carla (Ester Expósito) e Ander (Arón Piper), além de inserir dois novos personagens, Malick (Leïti Sène) e Yeray (Sergio Momo), importantes para o desenvolvimento das histórias dos protagonistas.

Élite Temporada 3 – Netflix

Adicionar personagens foi um grande acerto na segunda temporada, com Valerio (Jorge López), Cayetana (Georgina Amorós) e Rebeka (Claudia Salas), e seguiu bem acertada na terceira. Malick, um bom e rico jovem muçulmano, começa a flertar com Nadia (Mina El Hammani) e logo conquista a confiança de sua família para garantir que a estudante consiga realizar o sonho de estudar nos Estados Unidos, mas nem tudo é o que parece. Já Yeray, um jovem bilionário e ex-aluno do Las Encinas, retorna cheio de agradecimentos a Carla por defendê-lo quando sofria gordofobia pelos colegas, e quer conquistá-la a qualquer custo, uma relação fadada ao fracasso.

>Agora com roupagem mais sombria, clássico conto tenta energizar história bem conhecida.

O desenvolvimento de alguns personagens, como Samuel, Guzmán e Omar (Omar Ayuso), ficou estagnado nesta terceira temporada, e foi a hora de Carla, Ander, Lucrecia e até Polo briharem com o autoconhecimento, as inseguranças e as rachaduras na armadura que, até então, parecia impenetrável. No caso de Ander, o conhecimento pessoal provém de um anúncio prematuro de morte, e o amadurecimento do personagem é gritante, uma exímia representação das lutas de um paciente com câncer. Já Polo, depois de passar quase duas temporadas inteiras negando ter matado Marina (María Pedraza), revivendo cenários passados com Carla, agora com Cayetana, cansa de viver uma utopia e decide encarar os fatos, pena que tarde demais.

Élite Temporada 3 – Netflix

Para a dupla Carla e Lucrecia, reservei um espaço premium já que, para mim, foram as duas estrelas da temporada. No novo ciclo, vemos um outro lado de Carla que, apesar de ter se mostrado completamente manipuladora com Polo, também é manipulada por seu pai, o marquês, e uma amostra de seu poder foi apresentada com Christian (Miguel Herrán) na segunda temporada. Agora, para satisfazer os caprichos do pai, Carla abdica de sua personalidade e individualidade e vive uma mentira regada a álcool e drogas. Para Lucrecia, o caminho do perdão conquistou o coração dos espectadores já que, ao perder toda a herança da família, deve apostar apenas em sua inteligência para conseguir a tão esperada bolsa de estudos nos Estados Unidos e, despida das camadas de maldade que conhecemos, vemos uma Lucrecia nova, e explora sua bela relação de sororidade com Nadia.

> Em suma, o invólucro de Locke & Key é de qualidade, mas o seu conteúdo decepciona o público que embarca com grandes expectativas.

Apesar da evolução dos personagens ser muito interessante, a trama principal se enfraqueceu. Depois de repetir o mesmo formato da primeira e da segunda temporadas, intercalando cenas de flashbacks da história com o interrogatório com a inspetora, a série se torna mais óbvia e com formato mais cansativo e preguiçoso. Desta vez, foi mais fácil descobrir quem foi o responsável pelo crime, sendo o mistério e a incerteza os principais traços da série nesse sentido. Além disso, personagens espertos como Samuel e Carla, agem de forma muito impulsiva e não condiz com os personagens.

Élite Temporada 3 – Netflix

As tramas secundárias como Samuel e a mãe de Rebeka e a venda de drogas na escola são interessantes, mas não mostram crescimento dos personagens, pelo contrário, apenas reforçam seus defeitos como impulsividade, ciúmes e inconsequência. Por último, o final que desapontou. Descobrir o culpado não atingiu as expectativas como na primeira temporada, e muito menos as consequências, tornando o fechamento, além de seco, clichê. Depois, o encerramento do ciclo de todos os personagens traz um contexto perfeito para o encerramento da série, mas a última cena em aberto mostra que mais pode estar por vir. Para mim, uma quarta temporada seria o pior crime de “Élite”.

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