Elisa y Marcela – o amor acha um caminho.

Novo filme do Netflix traz a história verídica de duas jovens que se apaixonam e precisam inventar quaisquer mentiras para ficar juntas
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Tempo de leitura: 3 minutos

clique para assistir “Elisa y Marcela” no NETFLIX (sujeito a assinatura do serviço)

O movimento natural que acontece na plataforma de streaming Netflix ao se aproximar o verão americano é a estreia de diversos filmes de comédia romântica, como O Date Perfeito e Meu Eterno Talvez. No entanto, em meio a tantos filmes mais pop, este ano tivemos uma pérola. Elisa y Marcela estreou no último final de semana e traz uma produção com assinatura artística, cinematografia elaborada e uma história relevante e comovente.

O filme espanhol se passa em 1901, em um povoado da Galícia, e acompanha a história verídica de duas jovens que se apaixonam e precisam inventar quaisquer mentiras para ficar juntas. Este caso entra em destaque uma vez que elas conseguem enganar uma vila inteira quando uma delas se disfarça de homem e casa com seu amor de longos anos.

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A direção aqui fica a cargo da conceituada Isabel Coixet, e apenas o fato de haver necessitado de 10 anos para conseguir rodar este romance já algo excepcional por si. Isso demonstra que, assim como  Roma (2018) de Alfonso Cuarón, diretores renomados encontram espaço para realização de filmes que dificilmente encontrariam financiamento ou visibilidade em um grande circuito para obras menos mainstream. Dificilmente porque aqui temos um filme menos plástico, o popularmente conhecido como “filme de arte”.

“Elisa Y Marcela” – Netflix Inc.

O enredo é desenvolvido ao longo de três atos bem definidos. O primeiro é o clássico do auto descobrimento. Atendentes de uma escola de freiras no interior do país, Elisa (Natalia de Molina) e Marcela (Greta Fernández) trocam olhares e pequenos momentos, tudo muito sutil, sem maiores contatos. Além dos olhares, existem extratos de conversas aparentemente insignificantes, mas que servem para a construção de um sentimento maior que cresce entre elas.

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O segundo ato é o da realização. As personagens ficam juntas, e criam um relacionamento propriamente dito, mas devem encaixar-se ao limites sociais da época em que vivem. Neste momento faz-se total diferença a direção feminina, uma vez que as cenas de intimidade servem justamente para isso: estabelecer a intimidade entre as protagonistas. É neste ponto que o advento do travestimento de Elisa e o casamento ocorrem, de modo a tentar fugir das desconfianças do povo.

“Elisa Y Marcela” – Netflix Inc.

O terceiro ato é o das consequências. As consequências de todas as mentiras nas quais tiveram que colocar-se apenas para estar juntas, e o horror das penas de uma sociedade intolerante. É aqui que a história das duas ganha a mídia como o primeiro casamento homossexual. Apesar de tudo, Elisa e Marcela não procuravam a mídia, ou fazer qualquer declaração pública nem nenhuma revolução social. Nem sequer queriam questionar as autoridades. O único que buscavam na sua jornada era estar juntas.

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O filme não apenas contém uma história relevante (principalmente nos dias atuais), mas tem durante toda a sua duração um cuidado artístico minucioso. A começar pela escolha da coloração preta e branca, que não só ajuda na imersão numa época mais retrógrada, mas também é super aproveitada para compor as cenas através de um belo uso de luz e sombras. A edição e mixagem de som também são um show à parte: principalmente nos dois primeiros atos, quando é possível ouvir o barulho de pássaros e pequenos sons da natureza, que permitem o mergulho na situação interiorana.

Elisa e Marcela é um filme importante e refinado. É paciente por não ter pressa em estabelecer suas protagonistas, construindo o amor para que seja genuíno, e o é possível sentir todo o drama, embora este nunca seja exagerado. Apesar de parecer pretencioso existe aqui uma história que merece atenção geral. A consciência de Isabel Coixet nos presenteia com duas mulheres fortes e nos deixa, por fim, um reflexão: um século depois – sim, tivemos avanços – mas mudou muita coisa?

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