ESPECIAL ALADDIN – E ESSAS NOITES DA ARÁBIA?

Segunda parte do nosso especial sobre Aladdin traz Barbara Cardoso contando o porquê do filme ser especial.
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Você já ouviu falar da Renascença da Disney? Não? Bom, se você não está familiarizado com o termo, com certeza você é especialmente apegado a, pelo menos, uma das produções que literalmente salvaram o maior estúdio da atualidade, além de revolucionar o modo como são produzidas as animações. Mas deixemos os detalhes dessa história para outro momento. O fato é: neste ano, a Disney dará vida a dois clássicos daquela fatídica era. A nova versão de Aladdin já estreia no fim deste mês e a preocupação que não deixa de me assombrar é: será que eles vão acertar?

Primeiramente vamos focar na versão original. É indubitável que quando Aladdin estreou em 1992, o que havia sido começado com A Pequena Sereia (1989), a Renascença da Disney, era consolidada. Aladdin não apenas consagrou o quanto os musicais eram uma nova chave para o sucesso (amém, Alan Menken!), mas também trouxe mais uma novidade para as animações. Quando Robin Williams aceitou o papel do Gênio, o qual já havia sendo desenvolvido a partir de suas performances, o estúdio descobriu uma nova carta de marketing para os longas animados: contratar como dublador um artista de grande nome. Apesar de Williams ser um dos maiores nomes dos anos 1990, demandou que o sua fama não fosse usada como merchandising, pois não queria roubar os holofotes, mas os produtores não dispensaram a fonte de ouro que tinham em mãos.

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“Aladdin” – Walt Disney Pictures

Ok, pois bem. Por que haveríamos de temer uma versão live-action deste clássico tão querido e tão icônico? Bom, eu respondo esta pergunta propondo uma nova indagação: o que faz um bom live-action? Mais ainda, se me permitem, utilizarei para ilustrar um live-action de outro clássico, de mesmo estúdio: A Bela e a Fera (2017).

Toda boa adaptação deve ser fiel à sua obra original. Mas ser fiel não é apenas fazer uma cópia. Obviamente eu quero ver os mesmo personagens: quero ver o gênio comediante, mas com um toque de sofrimento; o Aladdin furtivo, mas ambicioso; a Jasmine determinada e insatisfeita. No entanto, deve trazer algo a mais, algo que seja condizente com o perfil dos personagens e relevante para o curso de suas decisões. Em A Bela e a Fera, por muitas vezes eu me encontrei gostando de uma cena apenas por ser uma reprodução mais enfeitada do que já era amado, mas quando se tratava da inserção algo novo (sim, estou falando da sequência da morte da mãe), não fazia sentido, e no fim, não teve qualquer consequência.

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Assim, tem-se o fato de que a nova versão tem 2h 8min em contraste com as 1h 30min do original. Ou seja, essa meia hora a mais deve ser aproveitada não só para trazer novas informações que enriqueçam o roteiro, mas inclusive para reparar inconsistências da primeira versão. Assim como em A Bela e a Fera eles consertaram o fato da biblioteca que ela tem acesso ser bastante ínfima em relação à versão animada, o que faz muito mais sentido, eles podem melhorar fatos como o plano do Jafar que não era muito plausível, se for parar para pensar.           

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“Aladdin” – Walt Disney Pictures

Mas o que chegou mesmo a me dar medo da decepção foram 3 anúncios da equipe: Guy Ritchie (diretor), Will Smith (Gênio) e Naomi Scott (Jasmine). Sim, eu sei que Guy Ritchie tem filmes bastante consagrados, porém suas últimas produções demonstraram como ele é diretor que se perde em produções grandiosas, vide Rei Arthur (2017). Temo que ele se foque muito na plasticidade dos efeitos de produção em detrimento do roteiro. Algo semelhante ocorreu em A Bela e a Fera, o qual tinha um diretor “de contrato”, obedecendo muito mais às regras do estúdio e deixando a história rasa e sem sentido.

Sobre os outros dois nomes, serei breve. Espero que respeitem a personagem da Jasmine, desenvolvendo-a como uma mulher forte e com diferentes nuances. Meu maior problema com a atriz é mais o fato de ela me parecer muito ocidental. Sobre o Will Smith, é a possibilidade de ele eclipsar o enfoque da história (a jornada do Aladdin e da Jasmine) algo que, como dito, tinha sido uma preocupação em particular do Robin Williams.

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“Aladdin” – Walt Disney Pictures

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Agora, imagine todo esse ceticismo exposto até agora foi por água a baixo depois do último trailer.  Explico-lhes com um nome: Alan Menken. Para os que se questionaram quem é esse ser quando o citei anteriormente, se trata apenas do compositor das trilhas sonoras de A Pequena Sereia, A Bela e a Fera e, claro, Aladdin. Quando no trailer se ouve A Whole New World, todo o sentimento que envolve essa história aflora, e o ceticismo vai ao chão. E a partir de então, eu pude alimentar esperanças (por exemplo, do trailer nota-se que o design de produção está lindo, aproveitando e enaltecendo – espero eu – a cultura e os ambientes árabes).

Enfim, Disney, você conseguiu brincar com meus sentimentos e com dois anos de revolta com A Bela e a Fera e criar grandes expectativas para Aladdin com apenas um trailer. Eu espero veemente não ser decepcionada, porque agora 23 de Maio de 2019 parece uma data que não chega nunca, e espero sair muito feliz (e chorando) do cinema!

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