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Divulgação / Netflix

Dark | O fim é o começo. O começo é o fim.

Série concluiu seu último ciclo com a mesma maestria que entregou desde o começo.
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O começo é o fim. É com essa icônica frase que introduzo nossa despedida a uma das melhores e mais emblemáticas séries da atualidade. Dark (2017-2020) conquistou o coração dos fãs há mais de dois anos com suspense, mistério e linhas temporais cada vez mais confusas, além de quebrar a barreira linguística e fazer tanto sucesso quanto grandes séries teens da língua inglesa na Netflix, como Stranger Things. Com o mesmo suspense e confusão que tirou nosso ar e nos obrigou a maratonar para descobrirmos tudo logo, Dark concluiu seu último ciclo com a mesma maestria que entregou desde o começo.

Confira aqui todas as temporadas de DARK, no Netflix.

Dark – Temporada 3 | Trailer oficial | Netflix

A falta de linearidade continua como uma das grandes belezas da série, que explorou ainda mais o artifício na terceira temporada, lançada no dia 27 de junho. A dificuldade de acompanhar as rápidas mudanças temporais foi acentuada pela inserção de uma nova dimensão – tudo que os fãs queriam, só pra dificultar a compreensão. Mas não se engane! Tudo de perfeito que Dark entregou em uma dimensão, se estende para esse novo mundo que nos é apresentado – um mundo sem Jonas. Junto com a chegada de mais perguntas, as respostas são apresentadas com sutileza pelos criadores Baran bo Odar e Jantje Friese.

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De cara, a primeira teoria dos submundos da internet a se concretizar foi a de Adão e Eva – particularmente, fiquei fascinada com as analogias bíblicas em uma série que prega o negacionismo religioso. No mundo alternativo, o embaralhar da mente só complica por apresentar novas e contraditórias informações sobre como destruir o ciclo, e nos vemos novamente desesperançosos com Eva, uma versão feminina dos anseios contrários aos de Adam. Como Ying e Yang, um depende do outro para se movimentar, e essa é uma das grandes chaves para entender o final, mas também o destrinchar do meio.

Com o avanço da trama, mais camadas da viagem no espaço-tempo são apresentadas, como a suposta necessidade de aniquilar um mundo em detrimento do outro, e vemos o despertar de viajante também em Martha. A relação simbiótica entre Jonas e Martha apresenta, mesmo antes do final, a necessidade da inexistência dos dois para garantir a quebra definitiva do ciclo.

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Descobrimos, também, mais informações sobre o pós-apocalipse e o processo de transformação de personagens em suas figuras em 2052, mas também mostra o passado longínquo, mas tão esperado: a criação do Sic Mundus. Ou seria a reconstrução? A desumanização de Jonas para, então, tornar-se Adam – spoiler aos desavisados – começa apresentar os primeiros traços, as marcas de viagens no tempo, a frustração com Bartosz e, finalmente, a viabilização da máquina do tempo. A explicação da trajetória dos personagens ao estarem, como Adam tanto fala, em suas exatas posições, acalenta a mente dos fãs inquietos por respostas – me incluo na lista – e traz grandes resultados esperados e confirmação de mais e mais teorias!

Divulgação / Netflix

A descoberta da ancestralidade de Agnes e Noah foi um dos grandes destaques, bem como a não relação de Regina com o ciclo infinito, e apenas foi absorvida naquele furacão de repetições temporais. Também fomos apresentados a três versões de um mesmo personagem, já apresentado no trailer ateando fogo na sede do Sic Mundus. O fruto infinito da junção dos mundos, infelizmente sem nome. Para mim, o mais esperado foi compreender a real função de Tannhaus na arquitetura da série, um personagem que não seria tão recorrente apenas por construir a máquina do tempo. Seu papel se mostrou, mais uma vez, essencial para chegarmos ao final.

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O encerramento de um ciclo não poderia ser mais emblemático à la Dark. A existência de um terceiro mundo – ou seria o único mundo? – e a aparição de uma terceira Claudia explodiram a cabeça dos fãs. Optar por finalizar com a anulação dos ciclos foi uma saída óbvia por vias não tão evidentes, dado que a existência de uma terceira dimensão pegou muitos de surpresa. Como sempre, Claudia se mostra a personagem mais significante para toda a trama e apresenta a solução real para Adam, que erroneamente insistia em apenas continuar com o próprio mundo. A aniquilação deveria ser de Adão e Eva, há muito saídos do Éden. Poetização não faltou e, mais uma vez, me encantou pela estética impecável de cores frias e simbolismo.

Divulgação / Netflix

A beleza de Jonas e Martha perceberem que sua função como par perfeito seria inexistirem não tem tamanho. O toque de Romeu e Julieta se fez evidente ao lutarem contra tudo e todos para se unirem eternamente, e a morte os semana antes da tranquilidade do amor. Os últimos 15 minutos da série me enfeitiçaram de tal forma que nem consegui desviar o olhar, apenas admirar uma das melhores séries da Netflix recebendo um final mais que digno, um final nobre. A desintegração do casal, bem como a do restante dos personagens do ciclo, trouxe leveza à morte. Não era um apocalipse destrutivo, e sim resiliente. O esvaziamento consciente do que nunca deveria ter existido.

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O fim é o começo. E tudo começou com a viagem no tempo de Tannhaus, estudada a fundo enquanto o acidente de carro de seu filho deve ser evitado. A peça-chave estava posicionada, e o gatilho foi interrompido, mais uma vez perfeito. A cena final, entretanto, foi a mais repleta de easter eggs, e os fãs atentos se deleitaram os os fragmentos de informações – a falha na matrix. Do casaco amarelo de Jonas à escolha óbvia para nome de criança, o final realmente não foi final, e a memória dos mundos vive em resquícios. O término perfeito para o ciclo que, desde 2017, encanta por sua complexidade.

Como um todo, a temporada brilhou em todos os quesitos, de elenco a fotografia. O apreço dos criadores com um produto bem apresentado, coerente e marcante não passou em branco, e fica evidente que, ao terminarem em três temporadas, escolheram preservar a integridade da série – timing esquecido em outras produções relevantes da Netflix. Hoje e sempre, tiro meu chapéu para Dark, uma das melhores séries que temos hoje e, sem dúvida, um dos melhores finais que já vi.