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"Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa" - DC Films; LuckyChap Entertainment; Kroll & Co. Entertainment; e Clubhouse Pictures/Warner Bros. Pictures

Crítica | O Show da Arlequina!!! apresentando…Aves de Rapina

O filme apresenta uma história simples e capaz de entreter todos os públicos com ação, humor e drama de qualidade.
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Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (2020) é o novo filme do DCEU (Detective Comics Extended Universe) e chega surpreendendo com a sua estética circense e o carisma da sua protagonista. No entanto, a produção da Warner Bros. Pictures ainda apresenta falhas a serem superadas, mas que não diminuem o valor do que parece ser o início de uma nova Era de filmes da DC.

Arlequina/Harleen Quinzel (Margot Robbie) “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” – DC Films; LuckyChap Entertainment; Kroll & Co. Entertainment; e Clubhouse Pictures/Warner Bros. Pictures

Quando os criminosos de Gotham City descobrem que o relacionamento entre Coringa e Arlequina/Harleen Quinzel (Margot Robbie) terminou de vez, eles partem em busca de vingança pelos maus tratos sofridos ao longo dos anos nas mãos da Princesa Palhaça do Crime. Dentre os mais perigosos está um dos principais chefes do crime na cidade, o Máscara Negra/Roman Sionis (Ewan McGregor), que acaba de ter um diamante muito valioso roubado por uma jovem chamada Cassandra “Cassie” Cain (Ella Jay Basco), cuja cabeça é colocada a prêmio. Quando as duas caçadas colidem, Arlequina e Cassie formam uma parceria em prol da sobrevivência. Enquanto isso, nos bastidores da caçada, a detetive Renée Montoya (Rosie Perez) tenta fechar o cerco na operação do Mascará Negra com a ajuda da Canário Negro/Dinah Lance (Jurnée Smollett-Bell); e a Caçadora/Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead) começa a assassinar mafiosos na cidade. Dessa forma, o destino das cinco mulheres convergem em uma emancipação conjunta do medo, do crime, do passado e de suas limitações.

Da esquerda para a direita: Renée Montoya (Rosie Perez), Caçadora/Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead), Cassandra Cain (Ella Jay Basco), Arlequina e Canário Negro/Dinah Lance (Jurnée Smollett-Bell) “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” – DC Films; LuckyChap Entertainment; Kroll & Co. Entertainment; e Clubhouse Pictures/Warner Bros. Pictures

+Terror psicológico que excede em todos os níveis possíveis e que merece atenção pela sua qualidade.

O longa-metragem chegou às salas de cinema sob os olhares de desconfiança de um público que ainda carrega o trauma de Esquadrão Suicida (2016) na memória. No entanto, o estúdio parece ter percebido quais são alguns dos seus pontos fortes e decidiu apostar as suas fichas em uma das poucas coisas boas que se pode tirar do filme de quatro anos atrás: a carismática performance de Margot Robbie (Era Uma Vez… Em Hollywood) como Arlequina. Dessa forma, ela assume o protagonismo em Aves de Rapina e o público embarca em uma aventura por uma Gotham City circense e repleta de perigos.

No entanto, nem tudo são louros para o estúdio. Aves de Rapina é um grupo de super-heroínas tradicionais dos quadrinhos que lutam contra o crime juntas. Algumas das suas principais membras são: Barbara Gordon/Batgirl/Oráculo, Caçadora, Canário Negro e Kate Kane/Batwoman. Apesar da Arlequina estar assumindo cada vez mais a imagem de uma anti-heroína, ela ainda atua em zonas cinzentas e nunca fez parte do grupo em uma formação efetiva. Portanto, o protagonismo dela em um filme que tem como objetivo introduzir as Aves de Rapina no DCEU aparenta ser uma decisão equivocada.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” – DC Films; LuckyChap Entertainment; Kroll & Co. Entertainment; e Clubhouse Pictures/Warner Bros. Pictures

Além disso, o protagonismo da Arlequina também atrapalha a primeira metade do filme, que se desenvolve de maneira confusa e irritante devido a narração da personagem, que decide contar a história de maneira não linear. Ela também quebra a quarta parede algumas vezes, o que realça a tentativa do estúdio de transformar ela no “Deadpool da DC Comics”. Dessa forma, o que começa de forma bem-humorada e divertida logo se torna maçante e tediosa com o passar do tempo. Por fim, o foco excessivo na Arlequina acaba roubando tempo que poderia ser gasto no desenvolvimento das outras personagens tão populares e com histórias tão interessantes quanto as dela.

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Entretanto, de uma forma geral, o filme apresenta uma história simples e capaz de entreter todos os públicos com ação, humor e drama de qualidade. O estilo do filme marca mais do que os seus personagens ou história, o que deixa lições boas e ruins para o futuro da franquia nos cinemas.

Máscara Negra/Roman Sionis (Ewan McGregor) “Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” – DC Films; LuckyChap Entertainment; Kroll & Co. Entertainment; e Clubhouse Pictures/Warner Bros. Pictures

As performances de destaque foram as de Margot Robbie, como a Arlequina, e a de Ewan McGregor (T2 Trainspotting), como o Máscara Negra. Robbie consegue expressar toda a loucura e a agressividade da personagem sem nunca deixar de mostrar os seus lados mais profundos, como a sua alegria juvenil e a sua compaixão pelos maltratados. Por outro lado, McGregor sucede em conciliar a personalidade sombria do personagem, marcada pela misoginia, o sadismo e o egocentrismo, com a vulnerabilidade emocional e a histeria do mesmo, o que forma um retrato peculiar para um vilão de quadrinhos.

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As atuações de Jurnée Smollett-Bell (Underground), como a Canário Negro, e de Ella Jay Basco, como Cassandra Cain, tiveram menos brilho, mas chamaram atenção em alguns momentos. No caso de Smollett-Bell, ela demonstra uma maleabilidade emocional surpreendente ao transmitir emoções sem palavras em diversas cenas, inclusive em uma das mais pesadas do filme. Basco, por outro lado, soube aproveitar o carisma de Robbie e se divertir em suas cenas, sem brilhar muito, mas longe de comprometer o filme.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” – DC Films; LuckyChap Entertainment; Kroll & Co. Entertainment; e Clubhouse Pictures/Warner Bros. Pictures

Já as performances de Rosie Perez (The Last Thing We Wanted), como a detetive Renée Montoya, e de Rachel Elizabeth Taylor (Fargo), como a Caçadora, foram quase nulas ao longo do filme, visto que as personagens tiveram muito pouco destaque. No entanto, elas tiveram atuações comprometidas com a proposta do filme.

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No que diz respeito aos quesitos técnicos, o filme sucede em todos. Os que mais chamam atenção são: a cinematografia e o design de produção, que trouxeram a vida uma Gotham City condizente com a personalidade da Arlequina; e a trilha sonora do filme, que foi essencial nos momentos de ação e de drama. Além disso, deve-se destacar a beleza visual das múltiplas cenas de ação do filme, que entretem o público de maneira muito eficaz sem comprometer a compreensão do que se passa na cena, um espetáculo artístico de ponta.

Em suma, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa supera as expecta-tivas e apresenta uma obra de arte em estilo, mas com defeitos de roteiro e personagens que não chegam a comprometer o resultado final.

PS: Recentemente, o filme foi renomeado “Arlequina em Aves de Rapina”. No entanto, este crítico se nega a julgar o filme levando em consideração o seu novo título por razões que ficarão claras quando o primeiro episódio do meu podcast for ao ar. Portanto, fiquem de olho no canal para a estréia do Sentinela dos Fans, só no CINEFANS!