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O Oficial e o Espião - Guy Ferrandis - Tous droits réservés

crítica | O Oficial e o Espião

Filme recria o "Caso Dreyfus" ocorrido em 1894, e mostra como o antissemitismo estava enraizado na sociedade francesa da época.
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Recriar eventos reais sempre é uma aposta arriscada mas quando é bem feita sempre é sinônimo de sucesso, o que é o caso de “O Oficial e o Espião” novo filme do premiado e imã de polêmicas Roman Polanski. O diretor recria com grande fidelidade os fatos ocorridos no “Caso Dreyfus” ocorrido em 1894, que mostrou como o antissemitismo estava enraizado na sociedade francesa da época. E esse foi um dos mais notórios casos de erros judiciais.

O Oficial e o Espião – Guy Ferrandis – Tous droits réservés

Logo no início do filme somos apresentados a humilhação pública e expulsão do Capitão do Exército francês Alfred Dreyfus (Louis Garrel) que foi acusado de passar informações secretas para os alemães. Através desse julgamento que toda a ação do filme se desenvolve começando com a promoção do Capitão Picquart (Jean Dujardin) – numa daquelas atuações que você levanta para bater palmas – para Chefe do Departamento de Inteligência do Exército Francês.

> Versão cinematográfica de amado personagem dos games não faz feio com história simples para agradar a todos.

Agindo com sua consciência, Picquart nos mostra as camadas de corrupção, antissemitismo e desmandos que consumiram o sistema judicial militar na França na época e provocou a famosa carta aberta de Émile Zola (André Marcon) para o jornal L’Aurore onde ele critica abertamente os militares e o Presidente da França.

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O roteiro é brilhante, em nenhum momento utiliza de subterfúgios ou adereços para tirar sua atençao, mostrando toda as camadas da situação e consegue fazer o público pensar junto com as situações apresentadas. A direção também faz um ótimo trabalho na condução dos atores, fazendo a maioria das cenas serem magníficas – ponto também para a fotografia e direção de arte – e ele desata os nós da trama ponto a ponto com uma precisão.

>Baseado em fatos reais, 1917 nos apresenta a guerra de um jeito imersivo.

Destacando praticamente todas as cenas que Dujardin participa mas um destaque especial para seus debates com os superiores durante sua investigação e também seus inesquecíveis discursos como testemunha e acusado do caso. Fantástico!

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Outro ator que se destacou, para mim foi Grégory Gadebois com o Tenente Coronel Henry, o principal assistente de Picquart na Divisão de Inteligência. Seu personagem mesmo enfiado até a cabeça na mentira e na corrupção, passa uma certa nobreza que garante excelentes diálogos durante o filme.

Agora eu sei que você percebeu que o filme é do Polanski, e devido ao histórico dele muitas pessoas podem querer não ir ao cinemas assistir mas deixe isso guardado pelas 2h da sessão e quando acabar você vem aqui falar do filme e falaremos mal do diretor juntos, combinado?