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O Mundo Sombrio de Sabrina 3 - Netflix

Crítica | O Mundo Sombrio de Sabrina 3

Ainda existem momentos interessantes, mas de modo geral a fórmula saturou e os roteiristas optaram por parar de se esforçar.
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Em primeiro lugar algumas coisas devem ser estabelecidas sobre o remake de Sabrina, a aprendiz de feiticeira, famosa série dos anos 1990. Apesar de trazer uma roupagem mais dark, O Mundo Sombrio de Sabrina continua sendo uma série que tem adolescentes como seu público-alvo. Assim que esta pode não ser uma série para você, caso não esteja preparado para uma alta dose de suspensão de descrença, não apenas pelo tema fantástico mas principalmente pelas decisões de roteiro, propositalmente óbvias, em adaptar todos dizeres populares para uma sociedade de culto bruxo.

O Mundo Sombrio de Sabrina 3 – Netflix

Uma vez que você consegue aceitar tudo isso, Sabrina é de fato uma série divertida, com uma história relativamente envolvente e que chega até a trazer diversidade, não apenas no seu elenco mas também no discurso. É bem incorporado no roteiro a temática do machismo, levando em conta que historicamente as bruxas são símbolos feministas e de luta contra uma sociedade misógina, e apesar de por vezes ser um pouco ilustrativo demais, é algo positivo se se considera que esses debates chegarão mais cedo na nova geração.

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Durante duas temporadas isso tudo funciona bem. Os personages são legais, os episódios são dinâmicos e tem um quê do modelo procedural (uma problemática para ser resolvida por episódio) que é raro nas séries atuais que não sejam sitcoms. No entanto, algo aconteceu na terceira temporada. Quase tudo que funcionou muito bem antes pareceu ser abandonado aqui em favor do que já tinha de mais brega e clichê, e ainda elevando essas características a outro patamar. Bem parecido ao que aconteceu com Riverdale da primeira para a segunda temporada.

O que aconteceu no caso de Riverdale (cujo material base dos quadrinhos está inserido no mesmo mundo do de Sabrina), é que este teve uma primeira temporada relativamente interessante. Apesar do tema obviamente adolescente, existia uma clara história que os criadores intencionavam contar, uma consistência na progressão da narrativa e na construção das personagens. No entanto, com o sucesso da série parece que os roteiristas largaram mão de qualquer sentido na história por simplesmente assumir que a audiência consumiria o qualquer coisa se encoberto por músicas legais, atores bonitos e pequenas doses de fan-service e fanfic.

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E assim se dá a mais nova temporada de Sabrina, que aqui tem uma brusca queda de qualidade. A começar pela falta de cuidado estético, evidenciado pelas inúmeras cenas, principalmente as sequências no submundo, em que quase não é possível enxergar nada a não ser que você ajuste o brilho do seu visor para o máximo. Também há inconsistência com o próprio drama proposto. A gravidade da situação que a protagonista se encontra é suavizada por cenas musicais uma vez que do nada a Sabrina (Kiernan Shipka) é lider de torcida e seus amigos formam uma banda (de novo, fanservice+fanfic)

O Mundo Sombrio de Sabrina 3 – Netflix

Existem também problemas na forma como o roteiro resolveu tratar as personagens, o que é uma pena sendo que a maior força da série está no quão cativantes eles são, tanto na ficção quanto na vida real. Por exemplo, nesta temporada esperava-se uma ascensão muito maior da Lilith (Michelle Gomez), levando em conta o fim que esta levou na temporada anterior e no seu potencial, além de todo o discurso feminista que esta carregava. Porém, o que houve foi uma subjugação dela apenas a uma conselheira e a alívio cômico. Da mesma maneira, outras personagens com jornadas muito instigantes foram deixadas em segundo plano em favorecimento de situações mais “bobinhas”.

O Mundo Sombrio de Sabrina pode ainda ser divertido, mas definivamente e cada vez mais sai da categoria de “mídia adolescente que podem ser muito bem aproveitada por jovens adultos” para apenas ser uma série adolescente. Existem ainda momentos interessantes, mas de modo geral a fórmula saturou e os roteiristas optaram por parar de se esforçar.

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