crítica | Locke & Key – Pouco Terror e Poucas Respostas

Em suma, o invólucro de Locke & Key é de qualidade, mas o seu conteúdo decepciona o público que embarca com grandes expectativas.
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Locke & Key (2020) é a nova série de terror sobrenatural da NETFLIX. Ela é baseada em uma série de histórias em quadrinhos escrita por Joe Hill, o filho do lendário escritor de terror Stephen King, e ilustrada por Gabriel Rodriguez.

Tyler Locke (Connor Jessup), Kinsey Locke (Emilia Jones) e Bode Locke (Jackson Robert Scott) eram três crianças normais até o dia em que o pai deles foi assassinado em sua própria casa. Buscando um lugar longe do evento traumático, a mãe deles decide se mudar para a cidade natal do pai, Matheson. No entanto, ao chegarem à morada ancestral da família, as crianças logo descobrem um conjunto de misteriosas chaves mágicas que devem ser protegidas de uma entidade maligna.

Locke & Key Temporada 1 – Episódio 5 – Crédito: Christos Kalohoridis/Netflix
Na foto: Emilia Jones, Connor Jessup, Jackson Robert Scott

O enredo busca um balanceamento entre o conflito externo e interno dos seus protagonistas. Por um lado, Tyler e Kinsey, os irmãos mais velhos, têm a árdua tarefa de lidar com os seus traumas relacionados com a morte do pai. Por outro lado, Bode, o mais jovem dos três irmãos, está mais focado em combater a traiçoeira Dodge (Laysa de Oliveira) e em proteger as chaves mágicas de Key House. Entretanto, a trama se desenvolve devagar e não entrega nem a emoção e nem as mínimas respostas que o público espera receber desde o início da série. O desejo de guardar alguns mistérios para a próxima temporada é bom e de praxe no mundo do entretenimento audiovisual, mas quando apenas três em cada dez perguntas são respondidas e outras dez são adicionadas ao longo da história já vira um jogo frustrante.

>O que surpreende o público é a opção criativa do diretor de realizar um filme sem qualquer tipo de diálogo.

Além disso, o elemento de terror que a série se predispõe a abordar quase não é trabalhado ao longo da história. Existem algumas situações onde a tensão aumenta e sentimos medo pelos personagens, mas nada fora do normal. Uma decepção para aqueles que esperavam por uma série com um tom mais sombrio do que o do costume na NETFLIX.

Dodge (Laysa de Oliveira) “Locke & Key” – Genre Arts; Hard A Productions; Circle of Confusion; e IDW Entertainment/NETFLIX

Em contrapartida, as diferentes interações dos irmãos e dos amigos deles com as chaves mágicas são muito boas e demonstram como que pessoas diferentes são capazes de usar esses objetos fantásticos para fins diferentes. Uma mensagem que fica clara na série é a de que o poder que vem com as chaves é capaz tanto de criar maravilhas quanto de trazer desgraça para os usuários. Dessa forma, o telespectador é levado a se questionar quanto à possibilidade de ele usar as chaves para o bem ou para o mal caso ele se encontrasse no lugar dos personagens e o que isso diria sobre ele.

>The Witcher desperdiça chance de criar algo épico, e será mais lembrada pela música chiclete do que pela história.

Por fim, a série falha em convencer o público de um sentimento de união orgânica entre os protagonistas e o grupo de personagens secundários no final da temporada. Talvez o roteiro tem sofrido ao longo do processo de adaptação das histórias em quadrinhos, o que é uma pena.

Locke & Key” – Genre Arts; Hard A Productions; Circle of Confusion; e IDW Entertainment/NETFLIX

No que diz respeito às atuações, elas foram adequadas ao tom do seriado. Connor Jessup (Falling Skies) convenceu na pele de um adolescente inconformado com a morte do pai e revoltado com a sua incapacidade de confrontar o assassino. O personagem evolui ao longo da série e surpreende com a crescente maturidade que vai adquirindo; Emilia Jones exibe muito talento como uma jovem em crise com a sua personalidade introvertida em busca da emancipação de suas responsabilidades. A transformação pela qual ela passa na série ocorre de forma convincente e a atriz não falha em vender a nova imagem da personagem; e Jackson Robert Scott (It) demonstrou ter um grande carisma ao representar o papel de uma criança hiperativa e ingênua. O personagem se mantém estático quanto à sua personalidade, mas vai se tornando mais esperto com o tempo.

Key HouseLocke & Key” – Genre Arts; Hard A Productions; Circle of Confusion; e IDW Entertainment/NETFLIX

O design de produção da série é o elemento técnico que mais se destaca na série. Além disso, os efeitos especiais também foram bem-feitos. A direção é por vezes criativa, mas discreta na maior parte do tempo. A trilha sonora não se destaca, mas também não é uma área em que fica comprometida.

Em suma, o invólucro da série é de qualidade, mas o seu conteúdo decepciona o público que embarca com grandes expectativas. Espera-se que as próximas temporadas consigam aprender com os erros desta e entreguem algo surpreendente.

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