Crítica: La Casa de Papel | parte 4

Numa temporada com pouca criatividade, série se segura no carisma dos personagens para se manter viva.
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Contém SPOILERS

Avaliação: 3 de 5.

Não existem dúvidas quanto ao estrondoso caso de sucesso que é La Casa de Papel. Apesar de não ser uma produção original da Netflix, foi quando disponibilizada no serviço de streaming que a série espanhola alcançou os corações do mundo, inclusive abrindo portas para que outras produções “não-anglofalantes” tivessem chance nos holofotes. Quando uma continuação, dessa fez produzida pela Netflix, foi anunciada a felicidade em rever personagens tão queridos foi acompanha pelo questionamento: será que valerá a pena?

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A terceira parte da série se sustenta bastante bem, uma vez encontrada uma justificativa boa o suficiente para um roteiro que, por sua vez, também é tão bem trabalhado quanto o foi nas duas primeiras partes. O diferencial da terceira é que todos os personagens encontram-se a cada episódio sendo gradativamente derrotados, seja no campo estratégico seja no emocional. A adição da figura implacável da inspetora Alicia Sierra (Najwa Nimri) somado à uma nova fragilidade do Professor ( Álvaro Morte) dá à história um fôlego diferente e muito mais consequências.

La Casa de Papel, parte 4 – NETFLIX

E é nesse tom que foi deixado o fim da terceira parte. Devido à maleficência da inspetora em torturar pelas emoções começamos a quarta com um Professor tomado pelo ódio por crer que a sua amada havia sido assassinada e com a perspectiva da morte de Nairóbi (Alba Flores), simplesmente a personagem que é quase unanimemente a preferida pelos fãs. Afinal, é através do carinho por esses atracadores que se sustenta um La Casa de Papel, tanto quanto o plano do Professor, então analisemos como foi o arco de cada um.

Com história criativa, tramas que parece confusa se encontra num excelente quebra-cabeça.

Tóquio (Úrsula Corberó), apesar de narradora e teoricamente protagonista, não teve muito o que fazer nesta temporada, aliás é bem possível encontrar dificuldade em lembrar muita coisa que ela tenha feito a não ser lamentar-se por Rio. Este por sinal teve certo drama com relação a sua captura e tortura que eventualmente serviu mais para frente como uma reviravolta no roteiro, mas houve uma tentativa nada a ver em criar um triângulo amoroso entre ele, Estocolmo (Esther Acebo) e Denver (Jaime Lorente) apenas para dar mais para fazer entre esses últimos personagens.

La Casa de Papel, parte 4 – NETFLIX

Para não dizer que Tóquio não fez absolutamente nada, em determinado momento ela é colocada em conflito contra Palermo (Rodrigo de La Serna), que apesar de ser sim uma boa adição ao elenco, esse conflito por si não levou a lugar algum, e o personagem encontra sua relevância maior nos flashbacks. Os momentos altos da série se dão na ameaça de morte de Nairóbi, e a perseguição interna ao chefe de segurança do banco no maior estilo Duro de Matar.

Não sabemos quais são os limites de nossos valores e de nossas capacidades até o dia em que eles são colocados à prova.

O perigo que é colocado contra a personagem acompanha quase a temporada inteira, culminando em momentos em que sua força é ressaltada mesmo diante de tanta adversidade. A cena do banheiro é de perder o fôlego e a sua morte é bastante sentida e revoltante visto, como dito anteriormente, a sua predileção pelo público (o que me faz questionar o quão arriscada foi essa escolha).

La Casa de Papel, parte 4 – NETFLIX

Por quase toda a temporada também a recuperação da Lisboa é colocada como prioridade no plano do Professor. Considero um acerto tê-la afastado e colocado frente a frente com inspetora Alicia, pois rendeu mais desafios à trama e ótimas interações. Aliás, Alicia continua a ser uma das maiores promessas do que está por vir na história.

Existem ainda momentos interessantes, mas de modo geral a fórmula saturou e os roteiristas optaram por parar de se esforçar.

A quarta parte de La Casa de Papel não foi um desastre, mas olhando para trás existe um sentimento de “encheção de linguiça”, como se eles precisassem de desculpas para completar os oito episódios e deixar um gancho para mais. Ainda há tensão e certa genialidade no plano do Professor e o carisma dos personagens segura o telespectador, mas é um fato que a tentativa em enrolar o público atrapalhou. Podemos apenas esperar que tenha valido a pena e que os próximos episódios compensem.

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