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Jojo Rabbit - 20th Century Filmes Brasil

Crítica | Jojo Rabbit

Filme nos surpreende e de uma forma inesperada traz um filme de comédia por cima de um plano de fundo reconhecidamente tão violento.
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Se existe algo que Hollywood adora são filmes bélicos, em especial aqueles sobre a 2ª Grande Guerra. Tantos foram feitos, sob diversas perspectivas e pegadas diferentes que dificilmente se pensaria que pudesse ser feito qualquer coisa nova. No entanto, o irreverente e promissor Taika Watiti nos surpreende e presenteia com o excelente Jojo Rabbit, e de uma forma inesperada traz um filme de comédia por cima de um plano de fundo reconhecidamente tão violento.

Jojo Rabbit – Fox Filmes Brasil

O filme nos é apresentado segundo os olhares de Jojo Betzler, um menino de 10 anos que ingressa para o treinamento da Juventude Hitlerista, e como tal, é envolvido por toda a narrativa ultranacional da época. Apesar do contexto em que está inserido, o filme é conduzido pela leveza da inocência e fascínio da criança diante de tantos absurdos, sentimentos esses traduzidos visualmente no peculiar amigo imaginário do garoto, ninguém menos do Adolf Hitler (interpretado pelo próprio diretor).

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Sabe quando você repete a mesma palavras tantas vezes que a passa a soar ridícula? É assim que o diretor conduz este longa, através da superexposição dos absurdos propagados pelos nazistas. Desde a repetição da saudação “Heil Hitler” quinze vez em 1 minuto, até as absurdas fantasias que se disseminavam quanto à natureza dos judeus. Absurdos estes para nós, mas como é trabalhado perfeitamente pelo diretor, era completamente plausível que fosse acreditado por uma criança alemã dos anos 1940.

Jojo Rabbit – Fox Filmes Brasil

Nesse sentido, o longa também é preenchido de dinamismo e demonstrações lúdicas das percepções do Jojo. A trilha sonora é muito bem escolhida e atua perfeitamente na composição e expansão da cena, até mesmo incorporando versões em alemão de músicas reconhecidas como “I Wanna Hold Your Hand” dos Beatles e “Heroes” do David Bowie. A paleta de cores também é um elemento de aplausos uma vez que mantem a coesão com o período histórico retratado enquanto se opta por cores que deem vida à cena, em especial o verde e o vermelho, o que reforça a leveza.

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Mas apenas a visão do diretor não tornaria Jojo Rabbit a obra que é, pois tudo é apenas abrilhantado pela afiada escolha de elenco. Nada funcionaria aqui não fosse Roman Griffin Davis no protagonismo. Apesar da pouca idade, Davis cativa o telespectador logo na primeira cena e transmite toda insegurança em se provar, dúvida quanto à retidão das ações, admiração, medo, descobertas… tudo está ali de maneira genuína, nunca parecendo que ele apenas está repetindo falas e gestos.

Jojo Rabbit – Fox Filmes Brasil

A personagem da Scarlett Johansson também tem um peso que é muito bem entregue pela atriz. O timing que é preciso para o papel é diferente de qualquer outro que ela já tenha atuado, e ela completa perfeitamente uma mulher forte típica da década de 1940, ao mesmo tempo que precisa preservar a infância do seu filho. As escalações do Sam Rockwell como general nazista e do Stephen Merchant como burocrata da Gestapo foram perfeitas na medida em que eles sustentam a comicidade do filme apenas por extrapolarem ironicamente as atitudes e crenças hitleristas.

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Jojo Rabbit precisa ser visto, não apenas por ser lindo e divertido mas também pela sua importância. A escolha do diretor em trazer comédia para um contexto tão horrível não foi para banalizá-lo ou só apenas trazer à luz os absurdos que eram propagados, mas também demonstrar a plausibilidade daquele discurso ter sido comprado. Essas histórias ainda valem a pena serem contadas para nunca se correr o risco de repeti-las.  Jojo Rabbit te levará numa jornada de tolerância e sensibilidade entre uma risada e outra.

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