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Confiança Incondicional

Nova série da Netflix, Osmosis mostra o que acontece quando se tem confiança incondicional na tecnologia.
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assista aqui “Osmosis” no Netflix

Osmosis é a nova série de drama/ficção-científica da Netflix. A série é de origem francesa e tem como tema principal a busca pela alma gêmea em uma sociedade futurística.

“Osmosis”/Netflix

Em um futuro próximo, na França, um grupo de cientistas liderado pelos irmãos Paul (Hugo Becker) e Esther Vanhove (Agathe Bonitzer) funda a Osmosis, uma empresa dedicada a desenvolver um aplicativo capaz de identificar a alma gêmea de cada um de seus usuários. Um grupo de testadores beta é selecionado para experimentar a tecnologia em primeira mão e auxiliar os desenvolvedores a avaliar os resultados práticos do aplicativo. Enquanto isso, os cientistas tem que lidar com as diversas crises internas da empresa. Enquanto os acionistas colocam o temperamento de Paul como presidente e CEO da Osmosis em dúvida, Esther começa a realizar experimentos antiéticos com os voluntários gerando efeitos colaterais. Por outro lado, a pressão econômico-social ao projeto cresce quando tanto grupos humanistas quanto empresas rivais começam a atacar a Osmosis. Dessa forma, tanto o futuro da empresa quanto o futuro dos seus usuários é colocado em cheque poucas semanas antes do lançamento da tecnologia no mercado.

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Esther (Agathe Bonitzer) e Paul Vanhove (Hugo Becker) – “Osmosis”/Netflix

A série peca em dar mais destaque para o desenvolvimento dos conflitos internos dos idealizadores da Osmosis do que na experiência dos testadores beta. Enquanto o instável personagem de Hugo Becker (Gossip Girl) tem que lidar com as pressões dos acionistas e o misterioso desaparecimento de sua esposa, a personagem antissocial de Agathe Bonitzer (Uma garrafa no mar de Gaza) corre contra o tempo para salvar sua mãe de uma doença misteriosa ao mesmo tempo em que coloca em risco a saúde dos voluntários do projeto. As respectivas tramas dos irmãos Vanhove são lentas, maçantes e só se tornam interessantes do meio para o final da série.

Lucas Appert (Stephane Pitti) e seu namorado, Antoine Fouché (Fabian Ducommun) – “Osmosis”/Netflix

Em contrapartida, a experiências dos testadores é muito interessante. Mesmo estando em um relacionamento estável, Lucas Appert (Stephane Pitti) decide participar da experiência Osmosis para ter certeza de que seu atual parceiro é sua alma gêmea, mas fica transtornado quando o aplicativo aponta o seu ex-namorado com tal. Ana Stern (Luna Silva) opta por participar da experiência por motivos maléficos e sem confiança alguma, mas fica surpresa quando se sente atraída por sua suposta alma gêmea. Niels Larsen (Manoel Dupont) é um jovem viciado em sexo em busca de sua alma gêmea para torná-lo uma pessoa mais estável, mas ao encontrá-la teme em feri-la devido ao seu temperamento forte. Cada um desses casos oferece uma subtrama rica em conteúdo e em identificação pessoal do espectador, que pode enxergar seus próprios medos e problemas nos testadores.

“Osmosis”/Netflix

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O aplicativo Osmosis busca encontrar a alma gêmea de seus usuários, uma pessoa com a qual eles possam desenvolver um relacionamento perfeito, livre de dúvidas e definitivo. À primeira vista, pode-se supor que a série procura focar no conceito de amor e na incessante busca do ser humano por ele. Contudo, conforme os episódios vão passando, percebe-se que a série trata muito menos de amor e muito mais a respeito do conceito de confiança, tanto no outro como em nós mesmos. Tanto nas relações profissionais quanto nas relações pessoais, a confiança é essencial para o desenvolvimento de uma parceria saudável, a quebra dessa confiança é um golpe violento sobre o vínculo, o que pode gerar inúmeras consequências na vida dos envolvidos. Pode-se perceber claramente o efeito dessa quebra de confiança nas tramas de Paul, Esther e Lucas, em especial. De uma maneira ou de outra, no que diz respeito a relacionamentos românticos, Osmosis é uma ferramenta que garantiria a total confiança no amor, pois ele seria inquestionável, perfeito e incondicional.

Esther e Martin (Vincent Renaudet) – “Osmosis”/Netflix

Apesar da primeira metade lenta da série, a produção apresenta performances de qualidade e efeitos adequados. Há um clima muito semelhante a alguns episódios de Black Mirror (também uma produção original da Netflix). Agathe Bonitzer interpreta muito bem a apática Esther Vanhove, que pouco contato real tem com seres humanos, mantendo-se muito mais próxima da Inteligência Artificial da empresa, Martin (Vincent Renaudet).

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Por fim, Osmosis é uma série com uma boa premissa e uma mensagem interessante, mas que sofre com a opção de focar em tramas pouco interessantes na primeira metade da temporada e só mostrar o seu real potencial no fim. O espectador passa longe de dar um match com a série.