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Cinefans no Oscar, a opinião sobre A Esposa com Glenn Close
A Esposa - Cinefans no Oscar

“Liberdade da Esposa”

5/5
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Atuação impecável de Glenn Close em “A Esposa” mostra como foi merecida sua indicação ao Oscar

Mulheres estão cansadas de viverem na sombra dos homens. Os tempos de abafarem suas vozes, reprimirem opiniões e sustentarem seus companheiros e maridos com seu próprio talento estão chegando a um fim. Assim como no longa “Grandes Olhos” (2014), em “A Esposa” (2019) também observamos a bravura da protagonista ao se libertar das amarras de um marido que se aproveita de seu talento para seu próprio benefício. Mais do que apenas um filme, o indicado ao Oscar 2019 reflete a realidade de diversas mulheres ao longo da história, retratando seu sofrimento no percurso.

*leia aqui nossa opinião sobre “A Favorita” um dos mais falados filmes indicados ao Oscar

Adaptação de livro homônimo de Meg Wolitzer, “A Esposa” começa com uma grande mudança na vida pacata do casal de idosos Joan (Glenn Close) e Joseph Castleman (Jonathan Pryce) quando o marido descobre que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Joan, que durante 40 anos optou por valorizar a carreira de Joe como escritor ao invés da sua própria, acompanha-o na visita à Suécia para a premiação. Durante sua viagem, recordações do passado instigadas por um jornalista incisivo, tensões matrimoniais e conflitos familiares trazem à tona uma nova realidade por trás da carreira e da fama de Joe.

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” A Esposa” – Pandora Filmes

Os segredos escondidos na trama, além da iminente explosão da protagonista, instigam o espectador a saber o que se encontra debaixo de um casamento supostamente perfeito e harmonioso. A mulher, optou por abdicar de sua carreira misteriosamente. O homem, tornou-se um grande sucesso repentinamente. Um jornalista intrometido e ardiloso se intromete na história do casal e levanta curiosas suspeitas sobre seu passado. Não há quem não acompanhe essa história sem esperar não apenas a revelação de segredos inomináveis, como também ansiar por um verdadeiro conflito. Uma constante tensão no ar, adicionada a uma protagonista cativante e um roteiro muito bem estruturado são a bela e melancólica fórmula do filme, ganhando o coração dos espectadores em cada diálogo.

Glenn Close representou perfeitamente um papel de pouco protagonismo na vida real: a mulher por trás do homem. A sociedade construiu o papel da “mulher grande por trás do homem grande”, reduzindo seu talento e sua capacidade em comparação com seus parceiros, fazendo-as a viverem como sombras de maridos que, por vezes, são menos talentosos que elas. Em “A Esposa”, Joan não é apenas o alicerce da produção do marido, mas a fonte das próprias produções. Todavia, quando jovem, ela abdicou de sua carreira como escritora devido à falta de prestígio que mulheres talentosas tinham em comparação aos homens. Essa questão ainda se faz presente na atual sociedade.

“A Esposa” – Pandora Filmes

Todos os empecilhos que mulheres talentosas convivem quando aceitam viver à sombra de homens medíocres conseguem ser muito bem representados no longa pelo próprio relacionamento entre Joan e Joe. Desde o começo, a relação deles era pautada em um certo grau de parasitismo que, com o engrandecimento do próprio escritor, atingiu um grande ponto crítico: o Prêmio Nobel. Ao longo da narrativa, é possível observar que, embora Joan mantenha uma certa pose em contextos sociais, ela tão logo percebe que essa situação se torna insustentável. A partir desse momento, a esposa começa a mostrar garras que foram tão bem polidas e escondidas por um marido que não aceitava ter uma companheira mais talentosa que ele mesmo. Sair do casulo, impor sua voz e expor seus verdadeiros sentimentos tornam a personagem tão real, tão verossímil. Tão humana.

*leia aqui nossa opinião sobre “Inflitrado na Klan”, um dos indicados ao Oscar

Uma narrativa que incita o clímax interno de uma escritora que estava fadada ao papel de esposa por tempo indeterminado. Tão logo, a libertação se fez como o único caminho possível, porém gerando muita dor e resiliência. Glenn Close fez um papel impecável, reforçando o talento e a versatilidade inestimável da atriz na cinematografia. Uma atuação excepcional, representando em uma única voz diversas vozes caladas ao longo da história. A mudez proposital de talentos enrustidos. Seu papel transcende o próprio filme, atingindo os corações da sociedade cansada de interpretar os mesmos papéis, vivendo sem perspectiva de mudança e liberdade. Close expõe o que muitas pessoas acabam engolindo em meio a discussões. Hora de verbalizar todos os sentimentos e impressões reprimidas ao longo dos anos.

NO FANZIMETRO o filme recebeu NOTA:

4,8