Cavaleiros do Zodíaco e a ausência de Cosmo

Nova versão de anima consagrado falha em agradar aos fans e tenta se salvar com as novas audiências.
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Tempo de leitura: 5 minutos

clique para assistir “CAVALEIROS DO ZODÍACO” no NETFLIX (sujeito a assinatura do serviço)

Faça elevar… o Cosmo nesta resenha! Todo horror combater! Enfrentar a TV! O anime original sempre a me proteger! Supera a dor e dá forças pra suportar! OK. OK. Parei… Só que já deu pra vocês perceberem o tom da resenha de hoje. O assunto de hoje é Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco, a nova série animada da Netflix. Me dê sua força, Pégaso… Sério mesmo, cara. Eu tô precisando.

Os Cavaleiros do Zodíaco (1986-1989; 2002-2008) foi um fenômeno japonês e brasileiro tanto na forma de mangá quanto na forma de anime. As décadas de 1980, 1990 e 2000 foram marcadas pelas aventuras de Seiya e seus amigos em diversas emissoras de TV. Além disso, várias séries derivadas e filmes foram criados com o sucesso do produto original, mas nem sempre tiveram bons resultados.

Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco é uma série de 12 episódios dividida em duas partes. Os primeiros 6 episódios já se encontram a disposição na Netflix, mas não há previsão de lançamento para os outros 6 deles. Na minha opinião, eles nem precisam lançá-los. É melhor agora antes que fique mais feio do que já está. Trata-se de um remake da série original de forma bem resumida. Nada de bom começa assim…

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O enredo da série gira em torno do órfão Seiya de Pégaso, um jovem que descobre ser capaz de manipular uma energia celestial chamada “Cosmo” e que ela é a arma de um Cavaleiro de Atena, guerreiros lendários destinados a proteger a deusa grega da sabedoria (em suas inúmeras reencarnações) ao longo da história da humanidade. No entanto, uma profecia misteriosa ameaça a segurança de Atena e o destino do planeta é colocado em risco. Portanto, cabe a Seiya e os demais cavaleiros derrotarem o mal e salvarem o mundo.

Seiya de Pégaso e Saoria Kido/Atena “Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco” – Toei Animation/Netflix

Em primeiro lugar, a série comete o mesmo erro de Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário (2014), que é usar computação gráfica (CG) como forma de animar os personagens. Os traços de animes são essenciais para a identidade visual de Cavaleiros do Zodíaco, como já foi estabelecido tanto pelo anime original quanto pelas séries derivadas: Saint Seiya – Ômega (2012-2014); e Saint Seiya – Soul of Gold (2015). Além disso, a violência gráfica também é outro fator marcante da franquia que esteve ausente na nova versão. Dessa forma, o impacto dos golpes dos personagens tinham pouco apelo visual e convenciam muito pouco o telespectador da gravidade dos ferimentos de protagonistas e antagonistas. O aspecto visual é fundamental para a emoção e o espírito de Cavaleiros do Zodíaco.

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A desnecessária e falha tentativa de contextualizar a história e os personagens no século XXI também foi um grande pecado da série. Cavaleiros do Zodíaco nunca se importou em demasiado em como era o mundo ao seu redor e o quão tecnológico e militarizado ele era. O isolamento espacial e místico sempre foi um dos maiores fatores que compeliam para o sucesso da franquia. Dessa forma, elementos como celulares, organizações paramilitares, etc. acabam parecendo aspectos fora do lugar da série. Nunca imaginávamos ver os Cavaleiros de Atena lutando contra tanques e soldados. A imagem em si é muito bizarra.

Os Cavaleiros de Atena “Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco” – Toei Animation/Netflix

Além disso, a condensação de diversas partes da história clássica dos Cavaleiros do Zodíaco também se torna um aspecto terrível da série. Eventos como a Guerra Galática e os confrontos com os Cavaleiros Negros e Ikki de Fênix são demasiadamente rápidos e pouco impactantes. O máximo que a série faz é nos mostrar alguns momentos marcantes do anime por puro fanservice.

Shun de Andrêmeda “Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco” – Toei Animation/Netflix

Por último, deve-se mencionar a polêmica da troca de gênero do personagem Shun de Andrômeda, pois apesar dessa mudança trazer uma representação feminina muito mais presente na franquia, ela também abre espaço pra diversas controvérsias. A primeira delas é o mero fato da troca de gênero, mas isso não me incomoda muito; inclusive em Os Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda do Santuário (2014), o personagem Milo de Escorpião também tem o seu gênero trocado, então não nada que não havíamos visto antes em outras adaptações. No entanto, um aspecto que me incomoda é o fato de que escolheram justamente o personagem mais sensível e vulnerável (sem mencionar o fato de que ele usa uma armadura cor de rosa) para ter o gênero trocado. Isso pode nos dizer muito sobre como o audiovisual ainda tem ideias pouco maleáveis sobre representações de masculinidade e feminilidade.

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Ikki de Fênix “Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco” – Toei Animation/Netflix

A escolha de Shun como alvo dessa medida me parece ser uma solução demasiadamente fácil e baseada em estereótipo, o que me leva a questionar o quão sério o estúdio leva a questão da inclusão. Pergunto-me, será que não poderiam ter escolhido algum outro personagem? Qualquer um dos outro 4? Pessoalmente, acredito que teria sido interessante vermos Ikki de Fênix (irmão mais velho de Shun) como o cavaleiro escolhido para essa troca de gênero. Acho que traria uma dinâmica interessante para os irmãos e o grupo como um todo. De qualquer forma, a escolha do estúdio me pareceu tão simples e pouco interessada que acredito que era melhor nem tê-la feito.

Portanto, Saint Seiya: Os Cavaleiros do Zodíaco não traz nada novo que valha a pena conhecer e muda demais o bom e o velho. A apresentação visual não transmite emoção alguma e os personagens estão mais do que melhores em nossas memórias. A produção passa longe de atingir o sétimo sentido (acho inclusive que perdeu alguns deles)…

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