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Bumblebee – O spin-off de Transformers com gostinho de reboot.

5/5
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Spin-off Traz renovação que a franquia necessitava.

ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS SOBRE O FILME! VOCÊ FOI AVISADO!!!

Bumblebee chegou nas telonas com cheiro de muita desconfiança no ar, mas é um filme gostoso de ser ver.

Sem dúvidas é o melhor e mais agradável Transformers até aqui. Bom a ponto de você QUASE esquecer que os outros existem.

Parece que Spielberg percebeu, muito tardiamente, a bagunça que Michael Bay fez com sua querida franquia e permite alguns experimentos em Bumblebee. Deixou Michael Bay na produção, onde definitivamente funciona melhor, e cedeu o primeiro spin-off a um diretor de características bem diferente.

Bumblebee com Charlie – Paramount Pictures

Mas Bumblebee é um spin-off ou um reboot?

Alguns elementos da franquia dirigida por Bay estão bem evidentes no longa. A forma de viajar no espaço, a comunicação por rádio de Bumblebee e o gosto por Camaro. A ausência de Megatron nos primeiros minutos do longa, que se passa todo em Cybertron, também é notada. Essa cena inclusive foi produzida, mas cortada para evitar problemas com a cronologia da franquia.

Ora, por favor! Não existe nada mais bagunçado que a cronologia de Transformers no cinema. Cada filme parece desmentir o anterior e eu poderia fazer um post inteiro sobre isso. Bumblebee segue a tradição e faz isso também.

Só que, como ele se passa em 1987, ou seja, cronologicamente ANTES dos filmes de Bay, junto à boa receptividade do filme, o potencial de zerar as informações a partir daqui se tornam enormes. E muito torço por isso.

Entre alguns pontos, a impressão de que o primeiro contato de Bumblebee com a Terra é 1987. Isso desmente a versão do quinto filme, que já tinha desmentido o original.

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O Setor 7 existe, no mesmo lugar onde se escondia no primeiro filme da franquia, mas aparentemente não teria nada a ver com robôs alienígenas até a aparição do amarelão.

Alguns dirão que eles já entenderem o inglês é um indício de que já houve contato, mas toda a linguagem nativa de Cybertron é ignorada. É como se sempre falassem inglês, mas como o filme se aproxima muito dos desenhos, é perdoável. Nem incomoda.

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Posicionar o filme na década de 80 abre, também, as portas para a nostalgia, já que todos os personagens são muito mais parecidos com as versões das animações e HQs da chamada Primeira Geração. De alguma forma, também desmente a escolha estética de Bay para os robôs, afirmando que os visuais clássicos não combinariam com o cinema.

Paramount Pictures

Um elemento que reforça a oportunidade de um reboot é a narrativa escolhida. Lembra muito a relação de Sam Witwicky com Bumblebee no primeiro filme, porém muito mais próxima dos quadrinhos e esticada. É basicamente a mesma história, com personagens diferentes e recontada por alguém que entende de cinema.

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Aliás, parece que alguém finalmente LEU algum material dos Transformers com atenção. Não apenas na relação de Bee com Charlie (que seria Sam nas HQs) mas na sacada dos Decepticons de tentar inverter a percepção de quem são os heróis e vilões.

A escolha de se focar em três personagens robôs ao invés do exagero de personagens dos filmes do Michael Bay permitiu o trabalho da empatia. O que precisamos saber sobre os Transformers e que funcione para a história é apresentado nos minutos iniciais do filme. Esse espaço permite que enxerguemos personalidade mesmo nos vilões Decepticons.

Nos filmes de Bay, vilões importantes como Starscream, Soundwave, Shockwave e mesmo Megatron ou são coadjuvantes ou tratados de forma infantil.

As cenas pós-créditos deixam a sensação de reboot mais forte. A primeira cena deixa claro que outros robôs estão chegando na Terra, dando uma deixa para continuações a partir de Bumblebee.

Michael Bay fora da direção é um alívio estético.

Menos explosões. Uma protagonista feminista que faz mais que exibir o corpo. Aliás, uma protagonista feminina que não precisa exibir o corpo em nenhum momento. Nenhum take de contraluz em câmera lenta. As transformações são finalmente percebidas, mais suaves. A sensação de clímax do filme fica no seu devido lugar. A história é bem desenvolvida.

Bumblebee é muito mais fantasia que ficção científica ou ação, e o personagem e sua relação com os seres humanos é muito mais carregada de humanidade.

Travis Night é um diretor novato. É o segundo filme nas mãos dele, mas não é inexperiente. Além de ter dirigido Kubo e as Cordas Mágicas, sua experiência como animador inclui Coraline, Paranorman e Boxtrolls. Todas obras de fantasia. E isso definitivamente influenciou na BOA qualidade desse spin-off. Um berro gritante em relação ao resto da franquia.

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Se vai ser reboot, não sei. Tudo indica que não. Michael Bay está na produção, e o tamanho do ego não deixaria. Mas se Spielberg, o homem da grana, tiver algum senso de ridículo, deixaria feliz muitos fãs dos quadrinhos e desenhos animados.

NO FANZIMETRO, O FILME MERECE NOTA: 4,0

© Bumblebee, Transformers – 2018 Hasbro Inc. / Paramount Pictures – Todos os direitos reservados.