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Amizade e Luto

Série aposta em um enredo focado no drama humano com o sentimento de luto salpicado de bastante humor negro para a comédia. Uma combinação arriscada, mas interessante.
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clique para assistir “Disque Amiga para Matar” no Netflix (sujeito a assinatura do serviço)

Disque Amiga Para Matar é a nova comédia dramática da Netflix. Produzida por Liz Feldman em parceria com Will Ferrel (Zoolander 2) e Adam McKay (vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “A Grande Aposta” em 2016), a produção aposta em um enredo focado no drama humano com o sentimento de luto salpicado de bastante humor negro para a comédia. Uma combinação arriscada, mas interessante.

James Marsden, Christina Applegate, Will Ferrel, Linda Cardellini e Liz Feldman – “Disque Amiga Para Matar”/Netflix

Jen Harding (Christina Applegate) é uma corretora de imóveis recentemente viúva após seu marido, Ted Harding, ter sido atropelado e abandonado por um motorista desconhecido. Com dois filhos para criar e uma vida para continuar, ela tem que encontrar um meio de processar o luto enquanto aprende a lidar com o seu temperamento agressivo e humor ácido. Em um grupo de apoio, ela conhece Judy Hale (Linda Cardellini), uma simpática artista cujo noivo faleceu há pouco tempo. Elas desenvolvem uma bela amizade, mas os fantasmas do passado continuam a assombrá-las. Dessa forma, as duas buscam expurgar os seus respectivos traumas enquanto lidam com segredos obscuros que vão sendo lentamente revelados.

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Jen Harding (Christina Applegate) e Judy Hale (Linda Cardellini) – “Disque Amiga Para Matar”/Netflix

O ponto alto da série está na relação de apoio-mútuo entre as protagonistas. Jen tem que conciliar os desafios de ser uma mãe solteira enquanto lida tanto com verdades secretas sobre o marido quanto com a falta de resultados do trabalho da polícia. Christina Applegate (Perfeita é a Mãe 2) faz um excelente trabalho interpretando a instável e sarcástica corretora de imóveis, apresentando todo humor de sua essência e toda a dor da viuvez. Judy tem que dar um fim aos segredos que a vem consumindo há meses a fio enquanto lida com o relacionamento tóxico que mantém com Steve Wood (James Marsden). Linda Cardellini (Green Book: O Guia) também desempenha o seu papel com muita qualidade, conseguindo transmitir toda a alegria, inocência, angústia e melancolia características da personagem.

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“Disque Amiga Para Matar”/Netflix

O ponto baixo da série está na forma como a produção opta por deixar de lado a relação de apoio-mútuo entre as protagonistas em prol do desenvolvimento de conflito entre as duas. A opção criativa dos roteiristas acaba por gerar uma narrativa extremamente previsível e clichê. A série poderia ter compensado com um desfecho ousado e original, mas optou pelo caminho mais seguro e a catarse final se torna tão clichê quanto o seu desenvolvimento. A excelente premissa da série é prejudicada por uma série de opções criativas que demonstram a pouca confiança do roteiro em apostar em um drama original e humano em prol de uma aventura padrão.

Apesar de tudo, a série tem um ritmo agradável e consegue conciliar bem os principais aspectos característicos da trama: o drama, o humor, o suspense e a tragédia. Todos os defeitos da série não tiram a capacidade da produção de fornecer um entretenimento passível de ser assistido e de fornecer algumas lições de vida interessantes ao longo de seus 10 episódios.

Steve Wood (James Masden) – “Disque Amiga Para Matar”/Netflix

Os personagens secundários são devidamente aproveitados e contribuem ativamente para a progressão do enredo. James Marsden (Westworld) tem uma performance de qualidade como ricaço egoísta e insensível com quem Judy mantém o relacionamento e vai ganhando maior espaço conforme a trama se desenrola. Valerie Mahaffey (Sully: O Herói do Rio Hudson) e Ed Asner (The Mary Tyler Moore Show) contribuem com muita presença e carisma na série. Mahaffey interpreta a sogra de Jen, Lorna Harding, e as duas tem um relacionamento bastante complexo. Asner é Abe Rifkin, um idoso de um centro comunitário que Judy frequenta, os dois tem uma bela relação de amizade e de confidência.

Abe Rifkin (Ed Asner) e Judy – “Disque Amiga Para Matar”/Netflix

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No geral, a produção é bem feita, sem muito destaque para aspectos como a trilha sonora e com uma ambientação adequada e pouco apelativa. O elenco é de qualidade e bem aproveitado, mas o enredo deixa a desejar no que diz respeito à criatividade. O entretenimento é aceitável, mas não deixa aquele gostinho de quero mais no final, mesmo com o estabelecimento de um cliffhangar.

Portanto, se você espera uma série extremamente original e inovadora, a decepção é certa, mas caso o entretenimento razoável e a distração com um bom elenco e um ritmo confortável seja o seu objetivo, não há o que reclamar. Por último, uma crítica à tradução do título em português: ele é muito ruim. Simplesmente ruim. Melhor seria ter deixado o original em inglês, muito mais adequado: Dead To Me (Morto Pra Mim).

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