A rebelião da aia – The Handmaid’s Tale

Terceira temporada de Handmaid's Tale começa bem devagara mas se salva no final e nos deixa com vontade de ver logo a quarta temporada.
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Tempo de leitura: 5 minutos

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Fãs ansiosos esperavam nervosos a terceira temporada de uma das maiores séries da atualidade, The Handmaid’s Tale, a menina dos olhos do site de streaming Hulu. O tão esperado 5 de junho, primeira quarta-feira do mês e início da terceira temporada, chegou com tudo. Depois de uma segunda temporada muito boa, mas ainda não à altura da primeira, o clima era de tensão. No último dia 14, ficamos mais uma vez na beirada das cadeiras, ora por angústia, ora por frustração.

Como o livro homônimo de Margaret Atwood apenas contempla a primeira parte da história, os roteiristas tiveram uma certa liberdade para continuar e prolongar a história de June Osborne (Elisabeth Moss) por mais duas temporadas, e a quarta já foi confirmada. A terceira temporada da série seguiu o caminho da anterior e trouxe um tom morno para a narrativa. Desde o final frustrante da segunda temporada, o enredo da continuação procurou sair da perigosa zona cinzenta para a qual a série estava se encaminhando. Infelizmente, não tiveram tanto sucesso.

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Na terceira parte da narrativa, temos uma mudança de cenário para refrescar um pouco os ares. Depois de complicações na casa dos Waterfords, June é transferida para a casa do Comandante Lawrence (Bradley Whitford). A partir desse momento, observamos também a alteração da dinâmica da casa com sua chegada, e a evolução das ferramentas políticas e de liderança que a personagem carrega consigo. Do outro lado, nos é apresentada também o arrependimento de Serena Waterford (Yvonne Strahovski), que regride ao espectro inescrupuloso novamente. Acima de tudo, boa parte da temporada pode ser resumida em uma palavra: política.

“The Handmaid’s Tale” – Hulu

Novos ambientes e novas arquiteturas políticas são apresentadas, mais um refresco para os olhos dos fãs. Agora, conhecemos a cultura de Washington, capital de Gileade. Os modos ortodoxos da cidade assustam a família, mas impulsionam a sensação de propósito dos Waterfords. Artimanhas de politiquês são muito mais exploradas, inclusive nas relações com o Canadá e dentro da própria República de Gileade. Por debaixo do burburinho da aristocracia, o silencioso barulho das Marthas, grande destaque da temporada. A resistência começa a se formar lentamente, e a casa dos Lawrence é o epicentro das discussões.

A estética da série, como sempre, dispensa comentários. A escolha dos planos cinematográficos e da colocação de câmera ganham destaque, construindo metáforas meio óbvias, mas artisticamente bonitas. As cores fortes das vestes das Aias sempre se destacam harmonicamente com os ambientes cinzentos, reforçando sua visibilidade, mas também sua importância. A trilha sonora mais ativa, e em completa consonância com os planos e com o roteiro, criando uma bolha estética impecável. Infelizmente, a parte artística é um dos poucos pontos fortes da temporada.

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Sem dúvida, o roteiro foi o maior furo. Durante a segunda temporada, já era possível observar a diminuição do ritmo dos acontecimentos, além de repetições de arcos como June tentando escapar, mas sem sucesso. Na terceira, não foi muito diferente. Embora novos ambientes como Washington e o hospital tenham sido estrategicamente aproveitados, o roteiro ficou bem enfraquecido nos episódios “comuns” – aqueles passados no ambiente corriqueiro. 

“The Handmaid’s Tale” – Hulu

Desde o primeiro episódio, já sabíamos dos objetivos de June: resgatar a filha. Essa era sua meta desde metade da segunda temporada. Quando descobriu que seria inviável, abandonou quase que completamente o plano para, apenas nos últimos três episódios, conseguir desenvolver minimamente uma ideia decente com as Marthas. Apresentar melhor o Comandante Lawrence e sua esposa foi tiro certo porque os personagens foram muito importantes para o desenrolar da trama, mas muitos diálogos eram infrutíferos e dispensáveis para o enredo. Além disso, as conversas de June com Lawrence poderiam ter sido melhor exploradas em diversas ocasiões.

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O arco dos Waterfords foi um acerto no roteiro. A observação de mais uma faceta da personalidade de Serena trouxe mais camadas à personagem, agora vestindo a blusa da mãe irracional. Ao longo da temporada, ela vai percebendo o poder que tem em mãos, e acaba tomando ele para si. Mas há um preço a ser pago. Todo a história do casal na temporada é bem interessante e, sem dúvida, os pontos altos da temporada.

Sobre as atuações, não há nada a dizer exceto parabéns. O elenco nunca deixa a desejar, e nesta temporada vale destacar a atuação de Yvonne Strahovski como Serena Waterford. A atriz consegue mostrar o misto de loucura e sanidade da personagem com maestria, e conseguiu brilhar nas cenas. Claro, a estrela da série, Elisabeth Moss, sempre dá um show de atuação com seus carões e as poses que flertam com a psicopatia. 

The Handmaid’s Tale conquistou o mundo em 2017, mas a qualidade vai diminuindo com as temporadas. Apesar dos defeitos de roteiro, a terceira temporada foi relativamente boa, principalmente por apresentar novas facetas do ainda misterioso mundo de Gileade. Para os fãs, pode ter sido uma decepção e grandes momentos de nada. Resta saber o que nos aguarda na quarta temporada, e se teremos ou não mais uma temporada. Blessed be the fruit.

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